quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Vens e Vais .


Não importa a quantidade de coisas que tenhas vivido, a qualquer momento tudo pode virar nó, tudo pode virar poeira. Independente do tempo, independente de quem, sempre vem algo pra mostrar que sim, as coisas sempre mudam e as pessoas também. E o resultado disso é a nossa fragilidade (antes não sentida) tão nítida e exposta. O resultado disso é um mundo lotado de gente e você - no fundo - sozinho. 

Desapego: talvez essa seja a palavra chave da vida! Desapegar dos sorrisos, desapegar dos abraços, desapegar das lembranças. Uma manobra forçada pra dor talvez sumir, a última opção depois das milhares tentativas de retorno. Mas não é fácil se despedir de alguém que um dia amastes tanto, não é fácil ver que uma fase passou e levou consigo milhões de rostos. É preciso escolher entre você no presente e você no passado. É preciso desapegar do amor, desapegar da cumplicidade, desapegar da saudade para desapegar - finalmente - da dor. 

A verdade é que não temos como nos proteger... pessoas entram o tempo todo nas nossas vidas e saem também. Deixam recordações que preferimos esquecer ou ficam do nosso lado até o fim. Talvez seja mesmo necessário aceitar este fato. Aceitar a possibilidade do ficar pra sempre ou do adeus - e infelizmente é mais provável que isso aconteça. Aceitar ao ponto de sentir a perda antes dela acontecer, antes da pessoa partir. E eu, particularmente, faço disso meu refúgio. Me despeço o tempo todo de coisas que não se vão, como se fosse o fim da linha, o último suspiro. O que me garante que não é?

O problema é que às vezes dói um pouco (e desesperadamente). Às vezes machuca só a possibilidade de ter que desapegar de algo ou alguém (principalmente alguém). Não tão raro, me pego olhando rostos que hoje são meus e pensando em como vai ser quando não forem. Dá pra medir a tristeza disso? Dá pra imaginar o sufoco que vem embutido na gente? E se eu não quiser dizer adeus? Não importa.

E no final, eu odeio sentir medo de perder alguém. E odeio mais ainda saber que esse medo tem fundamento... eu já perdi outros alguéns um dia. Perdi amigos de colégio, amigas de infância e pessoas que nem dei ou tive oportunidade de fazê-las amigas. Perdi um pai presente, uma melhor amiga diária e as duas melhores vós do mundo. E a parte mais triste disso tudo é ver pessoas se perdendo por besteira o tempo todo e por opção. Talvez elas não saibam a dor que é procurar olhos que não se abrirão mais nunca nessa dimensão. Essa perda sim, dói mais que todas.