Estou a horas reescrevendo frases que não fazem sentido, não se encaixam, não dizem nada. Estou tentando organizar minha ideias, levantar da cama e erguer um sorriso, só que não consigo. O mundo se perdeu e eu ainda peço resgate. Não consigo digerir as máscaras que insistem em cair, não me permito aceitar que isso é completamente normal. As pessoas se devoram aos montes e não se dão conta, não se enxergam. Almejam com tanta força que esmagam o espaço de quem se ama, sufocam o sonho que se sonhava a dois só para não chocar com egoísmos. E usam. Usam os outros, usam a maldade, usam o lado que pensa ruindades. Eu não quero assistir isso, eu não quero fazer parte da parcela que aceita o que lhe é dado, eu não vim aqui pra isso. As minhas escolhas estão reduzidas, eu sinto o gosto doce amargar minha saliva porque o mundo passou do ponto. Ninguém reparou? Ninguém vem comigo? Eu não quero beijos de bocas que me difamam, eu não quero consolo de abraços que me sufocam, eu não quero ter que limpar veneno que escorre em sorrisos tortos. Quero ser estrangulada de vontade própria, quero comer o pão que eu mesma amacei, quero ser filha do mundo que eu fiz pra mim. E só pra constar: Alguém vem comigo?
segunda-feira, 21 de janeiro de 2013
terça-feira, 15 de janeiro de 2013
Um Impulso
Não lembro bem o que veio antes do grito, mas os meus olhos estavam molhados e eu sentia meu corpo tremer. Destroços de um carro voavam pelos ares e só aqueles olhos vermelhos giravam minha mente, me encaravam. Eram vermelhos de dor, de amor, de despedida - e eu não podia dizer um adeus tão cedo. Eu via meu amor indo embora e a minha vida sendo sugada por um ralo imenso no meio do mundo, sentia-me derreter no desespero. Tive, enfim, a noção de um momento tão surreal quanto este. Quis desde o início não acreditar, quis não sentir tanta dor, tanta perda, quis tanto que não pude. Senti minha garganta arranhar com gritos que não tinham som, que só serviam para saltar minhas veias. E chorei. Chorei com toda minha força, com sussurros, com pedidos de desculpa, com pedidos de retorno. Chorei tanto que escorreu no tecido, encharcou as bochechas e me acordou do pesadelo. Me acordou pra vida!
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
Quando a alma não é pequena...
Sempre que eu choro por alguém questiono o sentido que faz se entregar tanto a outra pessoa. De que vale entregar meus medos, dizer quem sou e chorar a outro alguém os pecados que nunca deveria ter feito? De que vale tantos sims, tantos colos, tantas ligações de "to aqui" no meio do dia só pra se deixar lembrar e sorrir? Qual o sentido da entrega? O que nos move a ficar entregue a alguém sem contrato nenhum, sem certeza nenhuma de nada? "Entrego meu coração de bandeja porque você parece ser uma pessoa legal e ignoro que outras pessoas legais só pisaram nele". É isso?
Estou cada vez mais certa de que é uma burrice se entregar. Cada vez mais certa de que é inconsequente demais. E cada vez mais certa de que também não vale a pena viver sem arriscar. Uma montanha russa de sentimento, de emoções e um coração que salta insistindo sair pela boca. Mas que não sai. É desgastante mesmo, mas revigora também - se vale a pena. E se vale a pena, que mal tem?
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