Lembro como se fosse ontem, aquela oportunidade imperdível de dizer: 'ela é muito otária, todo mundo sabe que ele não vale nada, como ela consegue viver com ele assim?' Pura falta do que fazer e a infeliz escolha de ocupar o tempo falando da vida amorosa daquela menina da escola aparentemente ingênua e boba. A infeliz escolha de fazer comentários desnecessários a respeito de alguém que, além das supostas falhas do seu namorado, eu absolutamente nada sabia da sua vida. Em nenhum momento me veio a cabeça o seu comportamento a dois, se ele era carinhoso, se alguém realmente havia lhe aberto os olhos, ou, principalmente, se aquela era uma história em que o amor havia vencido. Simplesmente, pareceu-me mais prático abrir a boca e sem pena criticar sua habilidade invejável de perdoar ou fingir-se intocada. Muito mais prático comentar com minhas amigas o fato de não compreender que alguém aceite conviver com alguém desse tipo ao seu lado. Quanto tempo perdido, não é? Principalmente porque quando o mundo deu voltas, eu me vi no lugar dela. Pois é, com uma rasteira perfeita da vida, a boba e a ingênua criticada no colégio tinha o meu nome. Como foi difícil ter que viver pra compreender as decisões que um dia eu a vi tomar. Profundamente difícil aceitar que meu coração, em sussurros que eu não acreditava escutar, dizia-se disposto a perdoar tantos erros. Como podia tanta falta fazer o calor do corpo dele perto do meu? Como que a vontade de abraçar e retornar a felicidade poderia ser maior que as mentiras e a visível falha de caráter? Eu fui posta a prova, como se fosse preciso sentir na pele para refletir antes de falar. Funcionou. Da pior forma possível eu aprendi que quando a gente acha que sabe de tudo e pode falar tudo, a gente erra. Eu, que tinha como costume analisar as escolhas alheias, descobri que me apropriar das minhas próprias escolhas é, sem dúvida, menos arriscado. E hoje, quando enxergo os olhares irônicos e escuto os comentários alheios, ainda que em grande parte, feitos por pessoas que não interferem em nada na minha vida, vejo um pouco do antigo eu no atual delas. Engraçado, porque uma hora dessas o mundo vai girar novamente e inverter os papéis.
quarta-feira, 28 de julho de 2010
Inversão de papéis
Lembro como se fosse ontem, aquela oportunidade imperdível de dizer: 'ela é muito otária, todo mundo sabe que ele não vale nada, como ela consegue viver com ele assim?' Pura falta do que fazer e a infeliz escolha de ocupar o tempo falando da vida amorosa daquela menina da escola aparentemente ingênua e boba. A infeliz escolha de fazer comentários desnecessários a respeito de alguém que, além das supostas falhas do seu namorado, eu absolutamente nada sabia da sua vida. Em nenhum momento me veio a cabeça o seu comportamento a dois, se ele era carinhoso, se alguém realmente havia lhe aberto os olhos, ou, principalmente, se aquela era uma história em que o amor havia vencido. Simplesmente, pareceu-me mais prático abrir a boca e sem pena criticar sua habilidade invejável de perdoar ou fingir-se intocada. Muito mais prático comentar com minhas amigas o fato de não compreender que alguém aceite conviver com alguém desse tipo ao seu lado. Quanto tempo perdido, não é? Principalmente porque quando o mundo deu voltas, eu me vi no lugar dela. Pois é, com uma rasteira perfeita da vida, a boba e a ingênua criticada no colégio tinha o meu nome. Como foi difícil ter que viver pra compreender as decisões que um dia eu a vi tomar. Profundamente difícil aceitar que meu coração, em sussurros que eu não acreditava escutar, dizia-se disposto a perdoar tantos erros. Como podia tanta falta fazer o calor do corpo dele perto do meu? Como que a vontade de abraçar e retornar a felicidade poderia ser maior que as mentiras e a visível falha de caráter? Eu fui posta a prova, como se fosse preciso sentir na pele para refletir antes de falar. Funcionou. Da pior forma possível eu aprendi que quando a gente acha que sabe de tudo e pode falar tudo, a gente erra. Eu, que tinha como costume analisar as escolhas alheias, descobri que me apropriar das minhas próprias escolhas é, sem dúvida, menos arriscado. E hoje, quando enxergo os olhares irônicos e escuto os comentários alheios, ainda que em grande parte, feitos por pessoas que não interferem em nada na minha vida, vejo um pouco do antigo eu no atual delas. Engraçado, porque uma hora dessas o mundo vai girar novamente e inverter os papéis.
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