Engraçado como a gente se apega a acontecimentos passados. Fatos antigos, fatos novos, escondidos ou descobertos. Podem ter sido importantes, podem até mesmo estar esquecidos, podem ser seus, podem ser dele. Engraçado como incomoda mesmo assim. Aquela frase que não sai da cabeça, aquele beijo que não acontecerá mais, aquela cena que preferias não ter visto, aquele amor que se dizia amor e não vingou. Acontecimentos do passado tão presentes. Irreversivelmente e desesperadamente presentes. Engraçado como não se vão, como permanecem intactos. As lágrimas nos seus olhos, os sorrisos nos lábios dele, as noites em claro no teu quarto, as festas que ele não cansou de ir. Momentos altos, momentos baixos, e que de qualquer forma não te dão escapatória. Flash, imaginação, suposição... Engraçado como isso funciona. Ele foi e angustiou, ele fez e angustiou, ele falou e angustiou. Engraçado como entristece. Enquanto isso tu ias e não angustiava, tu fazias e não angustiava, tu falavas e não angustiava (muito). Engraçado como isso não diminui tua dor. Ficar aflita, chorosa, melosa, depois de anos. Sentir uma raiva, um apego, um misto de tudo quando não se tem mais tempo pra sentir, quando não se pode mudar ou usufruir o que se sente. Querer fugir e correr pro encontro ao mesmo tempo. Ouvir o sim e querer o não. Contradições e uma vida de loucuras pra quem já não se imaginava contracenando essa cena tão brega de antiga e repetitiva. Engraçado como a gente se apega a acontecimentos passados. Inclusive quando não passaram de uma louca alucinação. Inclusive quando deveriam ser apenas uns acontecimentos passados.

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