sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Procura-se uma Bolha


O mundo fincou em minhas costas. De repente sou a pessoa mais bem resolvida cheia de problemas pra resolver. Problemas que não são meus e de alguma forma são até demais. Ainda que me tome, prefiro me meter no meio de tudo do que esperar o amigo tempo vir resolver. Me parece impossível. Amigos precisam de amigos, precisam de conforto, precisam de carinho, proteção. A vida é tão dura às vezes que apenas um "acorda pra vida" a quilômetros de distância cai como o abraço mais reconfortante do mundo. Não me basta.

Queria ter o poder de aconchegar em meus braços cada coração partido, remediar, cicatrizar.. nem sempre consigo. Administrar vidas inteiras que parecem estar a beira do precipício por motivos tão singulares e, por vezes, fúteis, mas que também sinto como meus, é barra pesada. Não adianta que eu fale da menina que perdeu os pais, da criança que não tem o que comer, nos velhinhos que são diariamente jogados em asilos.. a dor cega, de uma forma completamente egoísta, cega. E é preciso que eu e minha mania de tentar resolver os problemas do mundo todo cegue junto, embarque na amargura, entenda a vontade súbita alheia de sumir do planeta. E se for preciso sumir junto. 

Não é fácil achar que tá tudo bem quando alguém que você ama chora dia e noite, é uma dor que também é sua. Queria meus amigos, minha família e meu namorado todos dentro de uma bolha. Incapaz de se magoarem, incapazes de me levar junto na tristeza. Quem me dera.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Vários remendos, alguns nós.


Irremediável. Algumas palavras simplesmente não devem sair de qualquer boca. Irritação precoce, estresse eminente, saco de pancadas. Não e não. Duas vezes mais alto o ato, a voz, a incredibilidade. Impossível aceitar algumas atitudes. Preferível dormir. Dormir mais do que nos últimos dias e perder a metade de um. Ignorar a rede, ignorar mensagens. Algumas desculpas soam vazias, soam sem sentido, sem compreensão. São verdadeiras, mas não anulam nada. Irremediável.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Boicote


A chuva tocou a janela do seu quarto naquela tarde, por um instante ela sorriu, adorava o cheiro dela quando tocava o chão e o clima frio tão raro naquela cidade. Ela gostou de sentir preguiça, gostou de ter um filme pra assistir, gostou de ter motivos pra comer besteiras sem culpa. Gostou tanto de tudo que quase esqueceu o motivo de estar trancada no quarto e tão só. 

Um dia antes ela o viu. Sem impacto, sem olhos arregalados, sem surpresa. Não houve reação alguma da parte dele que pareceu nunca ter sentido nada além de um algo que passou e enterrou. Depois de meses se martirizando ela deu de cara com quem menos queria, ou pelo menos fingia não querer. "Não sei e nem quero saber" embalava toda resposta que dava a qualquer pergunta que tinha o nome dele ou qualquer coisa próxima a sentimento e relações amorosas. 

O histórico do computador denunciava sua farsa. Era a primeira e última coisa que fazia ao se conectar: torturar-se. Milhares de fotos em novos álbuns que já não tinham seu aval ou o cuidado em organizar pra ele e sua preguiça sem fim. Novos sorrisos perto do dele que de tão antigo doía no peito, olhos ressacados, iludidos e perdidos. Quantas festas por mês ele era capaz de frequentar? Novos e velhos amigos e nem sombra de alguma saudade dela. O cabelo havia crescido e estava mais desarrumado que o normal, o rosto talvez tivesse novos traços ou alguns que a paixão havia impossibilitado de enxergar, talvez não continuasse tão lindo, mas, ainda assim, era lindo o bastante. Lindo o bastante pra continuar restando ali.

O percurso da recaída continuou e a próxima fase era sempre a das mensagens nunca apagadas do celular.. se resumia basicamente em uma releitura decadente das palavras lindas que um dia ele escreveu provavelmente sem se dar conta da dimensão que elas tinham. Ela sabia no fundo que eram só frases ensaiadas, ele já devia ter enviado as mesmas mensagens para milhares de garotas que, como ela, acreditaram no príncipe que nunca passou de sapo e podiam estar num quarto qualquer, de uma casa qualquer, chorando com a chuva, chorando sem ela ou nem pensando mais nisso. A vida segue, não é mesmo? 

O sol havia decidido não mais voltar naquele dia, as lágrimas dela também. Queria uma vida sem esses descasos, uma vida sem nostalgias, uma vida sem pessoas que, como ele, partiam na primeira oportunidade.  Ela não sabia, mas queria sim saber. Quando, afinal, as coisas começariam a dar certo? 

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Flores Brotam Sem Fim


No meio do abraço dei-me conta da imensidão que é o meu amor por ele. Talvez por ser aquele o dia em que a rotina voltaria me fazendo lembrar no quanto eram complicados os dias cheios de saudade. Eu implorei mentalmente a quem pudesse me ouvir que aquele abraço sempre fosse meu, que nós dois resistíssemos a mais um novo período. Confesso que essa minha fixação em aceitar a efemeridade de tudo às vezes cansa, mas não posso evitar. Eu sei que nem tudo resiste ao tempo, na verdade quase nada, e só pedi com força que continuássemos resistindo.

Ele falou um "eu te amo" tão cheio de verdade que se eu não pudesse ouvir teria lido em seus olhos e exatamente por isso apostei na resistência. Aquela manhã havia chegado com um gosto doce e uma sensação de nova estação, eu poderia jurar que algumas flores brotavam em cada parte de mim se isso não soasse tão surreal. Tive vontade de tomá-lo irracionalmente, como quando ganhei meu primeiro cachorro, centralizando, amando e impedindo que saísse de perto até o último suspiro. Dei-me conta que é a liberdade que nos prende. A nossa "resistência" vem da certeza de que não estamos aqui por obrigação. Lhe dei um beijo, desejei bom dia e o vi fitar meus movimentos com a certeza de que sou a sua escolha certa. Coincidência. 

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Nutriu-me


Segurei o choro e disse que não me permitiria sofrer novamente. Ele parecia compreender o significado daquela frase dura dita por mim. Me olhou com receio e um tanto de preocupação, seus olhos indagavam nitidamente o final dessa conversa. Tive certeza que as pessoas em nossa volta compreendiam o socorro que ele exalava sem, talvez, dar-se conta. Não finquei nada, só dei as costas. Enquanto andava um gosto de orgulho me nutria e rapidamente me tomava, eu não sabia o quão forte havia me tornado até que precisei ser. Nenhuma lágrima. A ausência do choro só não foi mais incrível que a calma que eu jamais havia experimentado antes. Peguei no sono no caminho pra casa, tive paz até nos pensamentos e concluí que finalmente estava anestesiada (e quem sabe ainda esteja). No meu corpo ainda pulsa a vontade de crescer sem pausas.. me sinto enorme. Minhas angústias jamais me abandonarão, aceitei por fim, com a condição de que agora não me reprimam mais. Atestei minha liberdade! Sou livre do choro, livre da fraqueza e cheia, cheia meeeesmo de mim.