O vento nas novas cortinas vinha anunciar um novo dia, pude ouvir passarinhos sussurrando bom dia e me cobrindo de coragem. Os tons vermelhos pareciam ter tomado conta da minha
fortaleza e o meu cabelo só queria respirar. Levantei tocando meus traços
espalhados pelos quadros, retalhos e papéis de parede, sentindo orgulho de mim.
Nos meus pés o tapete preferido entre todos os outros que trouxe pra casa - talvez
a minha mania de ter pés agasalhados tenha ultrapassado os limites. Ter muitas manias requer desdém, requer leveza, então dei de ombros. Eu desfilava na ponta do pé do quarto à cozinha, desfilava meu pijama surrado com cheiro de neném, com cheiro de
amor. Desfilava minha perna que implorava nova depilação contra vontade de todos
os nervos do meu corpo. Às vezes podia jurar que era uma péssima ideia ter
espelhos por todo lado desse apartamento, outras vezes eu só compreendia o
motivo inicial: ver a pessoa que concretizou alguns sonhos. As cores que eu via
em tudo, os mimos que me explicavam, a casinha de cachorro finalmente com
dono. Meu olhar com rumo, por fim. Corte novo, roupas
novas, meu estilo, meu espaço. Meu sonho.

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