quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Quase Tudo


Hoje é uma data especial por mil motivos, uma data que me faz refletir tanto quem eu fui, quem eu sou, quem eu tenho sido. Não, hoje não é o meu aniversário e este não é mais um desses textos reflexivos que uma nova primavera às vezes pede. Hoje é apenas uma data do meu plural, o plural que me ensinou tanto e talvez tudo sobre mim. Milhares de clichês resumiriam qualquer trajetória, mas eu não quero repetir frases, não quero usar as mesmas explicações, justificar com a mesma seqüência. Hoje eu senti uma vontade absurda de modificar a minha linha de raciocínio sobre tudo que me rodeia, que me sobra, que me foi. Quero enxergar a nova mulher que sou graças a tudo, a nova postura que adquiri, a nova visão sobre o mundo e as pessoas e a certeza sobre possibilidades. Hoje é um dia tão lindo e tão significativo que me faz agradecer os desvios que eu jamais quis aceitar. Um dia que não é só meu, mas que diz muito e quase tudo sobre mim. (1.3)

Foto: a diva das divas Lena Dunham! <333

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Somos Quilômetros


Ele apenas me olhou e acenou em direção ao banheiro. Recebi o recado e fui na frente. Ele tentava, sem sucesso, me tirar do meio daquele mar de gente com olhos que nos estudavam a noite toda. No caminho encontrei mais um alguém conhecido, acenei, fui educada, continuei... o banheiro ficava longe o suficiente daquela música brega que me dava vontade de morrer e eu quis agradecê-lo por isso imensamente. Ele não estava no meu campo de visão, algo me cegava naquele lugar, mas de alguma forma eu sentia que o seu olhar me acompanhava. Isso me fazia apressar os passos na ânsia de poder tê-lo num abraço, ao menos. Já havia um bom tempo que não nos víamos assim, nessa sintonia, e eu me sentia tão feliz com aquela volta que quase esquecia do quão triste havia sido a partida. Eu sonhei tantas vezes com esse retorno que a cada despertar uma parte de mim morria e agora a distância até o banheiro era infinitamente menor do que somos.  Não sei explicar, mas as pessoas se aglomeravam onde quer que eu fosse como se tentassem reforçar que aquilo não era permitido, as risadas ecoavam dentro de mim me forçando a entender a ironia naquilo tudo e nada, nada, nada me pareceu correto. Acordei de mais um sonho, dei-me conta. Chorei toda ternura do seu olhar pra mim tão irreal,chorei minha covardia num momento que tanto ensaiei, chorei porque fui eu que travei. Afinal, de quem estávamos nos escondendo? 


Talvez de mim.