Ele apenas me olhou e acenou em direção ao banheiro. Recebi o recado e fui na frente. Ele tentava, sem sucesso, me tirar do meio daquele mar de gente com olhos que nos estudavam a noite toda. No caminho encontrei mais um alguém conhecido, acenei, fui educada, continuei... o banheiro ficava longe o suficiente daquela música brega que me dava vontade de morrer e eu quis agradecê-lo por isso imensamente. Ele não estava no meu campo de visão, algo me cegava naquele lugar, mas de alguma forma eu sentia que o seu olhar me acompanhava. Isso me fazia apressar os passos na ânsia de poder tê-lo num abraço, ao menos. Já havia um bom tempo que não nos víamos assim, nessa sintonia, e eu me sentia tão feliz com aquela volta que quase esquecia do quão triste havia sido a partida. Eu sonhei tantas vezes com esse retorno que a cada despertar uma parte de mim morria e agora a distância até o banheiro era infinitamente menor do que somos. Não sei explicar, mas as pessoas se aglomeravam onde quer que eu fosse como se tentassem reforçar que aquilo não era permitido, as risadas ecoavam dentro de mim me forçando a entender a ironia naquilo tudo e nada, nada, nada me pareceu correto. Acordei de mais um sonho, dei-me conta. Chorei toda ternura do seu olhar pra mim tão irreal,chorei minha covardia num momento que tanto ensaiei, chorei porque fui eu que travei. Afinal, de quem estávamos nos escondendo?
Talvez de mim.

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