Com o passar do tempo criei o hábito de me vigiar. Analisar
quem tenho sido quando penso, falo ou tomo alguma atitude. De uma maneira geral,
isso tem me feito evoluir, só que nem sempre é fácil.
Quem eu fui, um dia, não pode mais ser reconstruído. Não
posso engolir aquela frase, não posso frear o que eu fiz, não posso anular o
que pensei. Algumas marcas não podem ser apagadas e, talvez, nem devam ser. É
essa minha dúvida. É essa a minha angústia.
Aprendi, só que um pouco tarde, a não dar aos outros o mesmo
que me dão. Dar o meu melhor é o novo lema. Desejar o bem, enxergar no outro o
que ninguém enxerga e não falar o que eu não sei. E nesse último eu incluo os
meus pré-conceitos. Quem sou eu pra definir alguém? Quem é quem pra se definir?
Quanto tempo levei pra perceber isso e quantas marcas deixei
que não posso apagar.. eu sei, demasiadas. Só então, enfim, descobri o gosto
amargo de quando se prova do próprio veneno. Ser intolerante não é uma boa
característica e eu não posso agir como se ela fizesse parte de mim, como se
fosse algo normal. E ter pensado assim um dia, talvez tenha me feito magoar
mais gente do que eu possa imaginar.
A minha única certeza é que desse minuto pra frente cada
ação minha pode ser pensada e repensada. Hoje eu ainda tenho tempo para fazer e
refazer, me desculpar. Eu sei que é tarde e já faz tempo, eu sei que já não dá
pra voltar. Desculpa de coração a todos que eu magoei, a todos que não poupei,
a todos que eu não perdoei. Desculpas por essa desculpa nunca chegar aos seus
ouvidos, a minha esperança é que o tempo os faça sentir.
Com amor. Com todo meu amor!

Nenhum comentário:
Postar um comentário