segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Ela só queria que ele fosse o amor. O amor que não desiste mesmo depois de tantas desistências, o amor que não maltrata depois de tanto judiar. Igual quando se chora um corte de cabelo que de tantas vezes feito errado já nem dói. Infinitamente errado, infinitamente substituivel, mas cheio de desejo de uma viagem sem volta. 

Ela quis ter mais do amor e, por isso, correu de si. Talvez porque fosse preciso se perder pra amar alguém como se queira. Ou talvez porque o amor fosse tanto a ponto de lhe roubar. Um papo meio discordenado, um encontro por acaso, tipo momentos que não precisam acontecer, mas que faz um bem danado quando acontecem.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Vácuo

Não sei bem o que me impulsiona, mas agora, eu só queria mesmo avisar que eu já tinha ido embora quando me procurou. Meio complexo porque eu estava ali, porque eu te lia e, de alguma forma, já havia partido. Talvez, se você tivesse chegado um dia mais cedo, não, eu não teria te deixado sem resposta. Mas você passou do tempo limite que por dias, semanas e meses eu adiei. 

Eu sei, eu sei que pareço infantil quase sempre e que essa minha mania de problematizar nós dois te afeta. Mas cá entre nós, nós nos problematizamos quando juntos. Não funcionou naquele dia que você disse preu ficar mais um pouco, não funcionou no outro em que eu te pedi que ficasse. Nós tentamos e isso é bom.

Só que quando eu me dei conta, tinha esperado demais. E você talvez só descubra agora o tamanho do nó que a tua saudade compartilhada me deu. Porque sentir é bom, mas sozinha nem tanto, então de que valia permanecer? Tuas sobras não preenchiam meus vazios e eu até tentei me encaixar no pouco, mas não, eu não posso ser menos por você.

E o que eu vim dizer mesmo, é que no fim do dia, depois da tua procura na madrugada, eu apenas sorri pro nada. Um sorriso doído, mas satisfatório também, como de quando se ganha uma luta que te faz rastejar. Cheia de marcas novas mas coração acreditado. E, meu amor, a culpa d'eu ser melhor agora é toda tua. 

Não vou te responder pra não nos prolongar mais, mas deixo aqui registrada a minha gratidão (quem sabe um dia eu lhe diga ou quem sabe um dia eu nem sinta mais sua falta a ponto de querer). Obrigada por me fazer crescer ao me obrigar a desejar algo contrário a você, algo melhor do que você. Aprendi!


segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Se eu fosse razão.


Estou indo embora, meu amor. Mais uma vez, eu sei. Mais uma vez nas nossas incansáveis partidas. Eu estou indo de novo por questões óbvias, não sou forte. Confesso, querido, eu não tenho peito para levar isso a diante. Eu sou pequena demais para acreditar que tudo pode mudar pela terceira, quarta, quinta vez - não sei, foram tantas. E a questão agora é que se eu não tenho certezas, como teremos? 

Me desculpe, mas é pesado demais olhar ao redor e ver julgamentos. Não posso julgá-los, eu também o faria se tivesse ficado ao meu lado naqueles dias, se tivesse passado horas ouvindo meu choro, se tivesse me visto escorrer pelos olhos e, obviamente, por sua culpa. Estão me protegendo e eu concordo com tudo que me dizem, o que é uma pena. Porque eu queria poder discordar em tudo, eu queria ter convicção de que agora você é merecedor da minha defesa, mas acontece que eu não sei e, bem, provavelmente nunca saberei. Não mais.

E apesar de me enganar, achando que vai vir um tempo certo pra nós dois, eu sinto, meu amor, e preciso lhe dizer, que não temos mais tempo. Chegou a hora, e me dói dizer, de aceitarmos o ponto final sem tantos pesares, porque tudo acaba, não é? E eu custei a acreditar nisso, e muito provavelmente eu só esteja me enganando, mas concorde comigo de que desse modo é mais fácil se despedir. Sendo positivo, ainda que numa maré de inconformidade, estamos bem. 

Quando eu disser meu adeus, segure as lágrimas como eu farei, ao menos até que eu entre no carro e dirija em direção ao novo que, não posso negar, me assusta. Mas não me siga, não questione, não relute. Seja fiel a mim só por hora e aceite o que julgo melhor pra nós dois. Eu prometo tentar acreditar que assim será, eu prometo não te ligar no meio do caminho aos prantos dizendo que tu és o amor da minha vida, embora nós saibamos que és, que somos. Que seja nosso segredo, que seja nosso porto, quase um cais em que possamos fechar os olhos e saber que algo nos vela pelo resto da vida. 

O que estou tentando dizer é simples: eu te amo, mas é preciso partir. Eu quero ficar, saiba disso. Eu quero ser sua, não duvide. Mas agora, meu amor, agora não dá. E não me pergunte o porquê, eu não saberia explicar, eu não sei ser razão, só tô tendo que ser.

Sejas feliz! Eu também serei. Com sorte.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Eu Labirinto


Eu vinha andando em linha reta, sempre crédula de que mal algum havia de ter. E, bem, não sei ao certo em qual momento, mas o trem descarrilhou. Sensação de um esgotar profundo, não havia fôlego suficiente para administrar mentalmente o que eu tinha acabado de ouvir. No meio do caos... eu.

No dia que eu cruzei aquele lugar pela primeira vez, imaginei, quase como num sonho, as possibilidades que cabiam no curto espaço de tempo que nos demoramos. Me fazia rir ser sonhadora. Dei de ombros e fiz piada o percurso todo, por horas, por dias, por meses. E vi meu riso sugado.

Quando as coisas ao redor se acinzentam, algo que vem de dentro avisa que o controle não é mais teu. Mas eu já não me preocupava mais com controles e conduções. Sequer soube me conduzir e se isso ao menos me preocupasse, ok. Mas nada. Passiva, inerte, como um corpo que segue o ritmo da multidão.

Hoje sou círculos, sou curvas, quase que um labirinto. Não me encontro mais e quem dera alguém me encontrasse. Me mudei de lá. Caminho inverso para outros lugares e outras demoras. É assim que funciona quando um lugar te dói, quando um lugar tem nome, quando a demora te machuca.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Reflexo


Hoje eu acordei e não lembrei meu nome. Meu corpo mudou, meu rosto também, não pareço quase nada com a pessoa de uns meses atrás. Isso é bom quase sempre. Cada esquina me trás algo novo, cada rosto também. Minha percepção sobre tudo é outra, completamente nova, completamente leve.

Eu tenho tentado me entregar a isso. Tenho reprimido meu medo, minhas angústias, minhas expectativas. Tenho tentado ser intensa na medida certa. Confesso me perder várias vezes e, não saber bem quem eu continuo sendo, faz de mim uma dúvida. A minha emergência é um perigo latente.

Aprender a ser sozinha é lembrar sempre quem se é e isso faz de mim uma aprendiz em tempo integral. Eu vivo me perdendo nesse novo. Pessoas chegam sem pedir licença, eu chego sem pedir licença, mas depois da despedida, quem ficou aqui? Eu quase nunca sei bem quem eu deixei me levar. Só que sempre me levam.

No espelho um olhar pertinente me encara como quem sabe exatamente o que quer e onde se quer estar, e me deixa um sorriso de "relaxa, estamos bem" . O labirinto nunca me angustiou, instigou. E eu sei que mudei, eu sei que eu sou o que eu quiser ser. E vou ser o que me convir enquanto eu quiser. Não pira!

terça-feira, 8 de julho de 2014

Sobre não permanecer


Você pode fingir amor, você pode acreditar que vai melhorar, você pode ignorar que não vai pra frente, você pode ser louca, boba, idiota, mas sempre, sempre chega a hora em que a ficha cai. E aí, não tem reza, nem mandinga, nem apelo, nem forças maiores que te façam não enxergar o que por tanto tempo você fingiu não ver.

No momento em que percebemos que a ausência era apenas desinteresse, o coração dói inteiro. A ligação que não chegava, a mensagem não respondida, o encontro desmarcado pela terceira vez, tudo começa a fazer sentido. Ele apenas não te queria. Simples, trágico e apenas aprenda a lidar com isso... sozinha.

No geral, a gente tende a resistir aos finais. Mesmo que eles sejam bem resolvidos, no fim das contas não interessa se ele teve peito pra te olhar da mesma forma que fez no dia em que te pediu um beijo, só que pra dizer que já não dava mais. Como também não interessa se você já não fazia, no fundo no fundo, tanta questão daquele amor cansativo e que te esgotava. O final, em si, sempre dói.

E talvez, saber a hora certa de se despedir faça de você maior. Talvez, o nó na garganta e a lágrima no canto do olho apenas façam parte da cena. Mais uma cena. Basta que se tenha tato, basta que se tenha certeza do que você merece e, principalmente, do que você não merece. Saber onde se quer estar é a porta de entrada para perceber que daqui a pouco o sorriso é novo, o olhar também e, na pior das hipóteses, o adeus é teu.

terça-feira, 3 de junho de 2014

Me ouça


Diz pra ele, por mim, por favor, tudo que eu venho ensaiando desde aquele dia. Diz pra ele que as coisas fugiram do controle e ele não tem culpa por ter culpa. Avisa que é normal bater o olho em alguém e querer se aproximar, avisa que eu gostei da aproximação. Mas diz, principalmente, que eu nunca soube lidar com a inconstância da presença dele porque ele é bom demais pra se ter distante.

Fala pra ele que meu coração ficou naquele sorriso que forçou uma barroca no canto do seu rosto e que quando ele gargalhou eu encontrei meu som favorito. Fala que o desprendimento dele me enlouqueceu por dias, mas me prendeu também. Ele precisa saber que eu entendo esse seu medo do amor e que já consigo suportar a ideia de que não sou eu quem vai lhe curar.

Olha pra ele bem no fundo dos olhos, igual ele faz comigo, e diz que ele mudou a vida de alguém. Diz que as birras desnecessárias fizeram dele único, diz que a doçura exagerada fez dele o que eu tanto quis. Eu sei, ele não vai entender, ele não vai sentir o apelo, mas só o deixa saber que eu sinto sua falta e que ele é melhor do que acha ser. Deixa claro, por favor, que eu ainda penso nele nos momentos mais simples e que tinham tudo pra não ter nada de nós dois.

Ele vai se desculpar com os olhos, o desculpe por mim, sorria por mim e diga que vai ficar tudo bem aqui. Que daqui a um mês eu não vou lembrar do calor que cabia no seu abraço, nem do som das nossas vozes se misturando no quarto e nem do triunfo que aparecia em seu rosto quando me tirava do sério. Diga que tudo vai virar pó, só pra ele sentir doer o esquecimento mas depois lidar melhor com o que restou.

Diga, finalmente, que o meu amor ainda é dele. E que não faz mal, desde que ele saiba.

domingo, 25 de maio de 2014

Sobre custos e um maio no meu 25

Existem dias que uma força absurda nos empurra pra baixo e não há nada capaz de nos fazer emergir. É assim que eu me sinto agora.

O quanto me custa admitir esses fracassos não caberia aqui. Um dia desses, para mim, é como me consagrar perdedora. E eu sei que não sou.

Eu só queria, em alguns momentos, me sentir merecedora. E dias como esse simplesmente me martirizam. E a culpa é de quem? Minha? Deles? Dessa vida?

Prefiro acreditar na lei do propósito, embora me doa por saber ser um mero consolo. Embora eu saiba que o meu consolo mora longe de tudo isso.

O problema, eu sei, é que no fim das contas, o que a gente quer mesmo é ser. Ser pra alguém. E isso custa.


quinta-feira, 8 de maio de 2014

Pontos nos i's


Você não merece nenhuma frase desse texto e dito isso, espero ter desistido dele antes do fim. Espero não ter tido coragem de mencionar que sem você as coisas perderam um pouco o sentido. Você e suas mentiras não merecem sequer uma lembrança minha, não merecem fazer parte de um passado meu, não merecem nem o título de "coisas ruins que nos ensinam a viver" porque o seu "ser pouco" não atinge o mínimo de significado exigido pra fazer parte de algo que foi sincero. Mas, ainda assim, você está em mim.

E eu pude jurar, depois daquele dia que você chegou e perdeu os sentidos quando me viu, que a distância cortava de um lado só. Você por alguns instantes desaprendeu a sorrir enquanto eu sorria, então eu tive a certeza de que a intacta, por milagre divino, era eu. E depois disso eu respondi a todos os cristãos incrédulos que, dessa vez, eles podiam acreditar, eu não atuava mais naquela peça que de tão antiga parecia sem fim. Ninguém acreditou. Com toda razão.

Sua ida sem volta foi tão mal planejada quanto aquele dia que você resolveu sair escondido de mim. Você é burro demais até pra ser ruim. Embora ruim você já seja. Mas isso não entra em questão quando a questão é que você voltou. E entrou pela porta que não era e nem poderia ser mais sua. E eu te deixei ficar. Te deixei ficar enquanto minha mente parecia não funcionar. Só que em vários instantes desde a sua permanência inconstante, eu pude me lembrar de tudo que você me fez e me faz sentir.

E esse texto, que começou com a pretensão de só avisar que você ainda existe em mim, já não faz sentido, igual a tudo que envolve nós dois. Esse texto, e todas as suas possibilidades, só me servem pra dizer que você não só existe em mim como quase não existe. Seus passos em falso são um convite pro esquecimento e, como eu não consigo te dizer não, tenho embarcado no desprendimento. E não, eu não desisti do texto, mas desisti de você.


terça-feira, 15 de abril de 2014

Lindo como um sonho!


Não sei exatamente que horas eram, mas ainda era cedo. O cheiro docinho do frio que resta pela manhã tava em todo quarto. Fazia tempo que abrir os olhos não era tão prazeroso. Ele estava ali, do meu lado. Ele e o seu sorriso bobo. Meu Deus, como alguém conseguia acordar tão lindo assim? Ele era lindo demais pra aquela cama, pra aquele quarto, pro meu baby doll. Lindo demais pra se encaixar em qualquer lugar desse mundo e isso era um tormento que particularmente eu amava ter.

Ele não sabia, mas eu havia sonhado com ele. E quando ele me puxou de encontro ao seu corpo ainda quente me desejando bom dia, a voz embargada e tão linda de sono me fez espremer os olhos na tentativa de despertar. Como que eu, com toda minha complicação, tinha conseguido arrastar aquele homem pro meu lado da cama? Eu não lembrava do momento ao certo que tinha o ganhado, mas quando ele encostou o nariz gelado no meu pescoço e ficou por vários minutos, eu tive certeza de que ele era meu.

Ele nunca foi do tipo que se rendeu ao meu aconchego e, lá pelas tantas dos dias, eu já tinha desistido. Ele era livre pra ser o homem sem compromisso que tanto amava e eu, mesmo presa, era a mulher sem compromisso que jamais quis ser. Mas nessa manhã, quando ele dificultou minha respiração com o peso do seu braço e deixou minha perna formigar com o peso da sua, eu mal pude acreditar, mas sim, ele era meu.

E agora já é final do dia, ele disse que quer me ver outra vez, que quer um dengo, o nosso chamego. E eu só quis dizer que sou toda dele, como já era há alguns dias e como fui a noite toda. Quis dizer que nunca imaginei tê-lo me querendo tanto e que a nossa música agora já tinha todo sentido que faltava. Mas não deu tempo... o despertador tocou.

Me desculpe, querido!


Me desculpe por ter aceitado teu flerte e por não ter desviado o caminho quando nos encontramos outra vez naquela noite, por ter achado graça no que me disse, por ter brincado de volta. Me desculpe por não ter virado as costas, por ter te beijado também, por aceitar tua companhia o resto da noite, ter te dado meu número e respondido a mensagem.

Me desculpe por não ter te ignorado, por não ter sido fria, por não ter rejeitado o teu interesse em manter contato. Me desculpe por ter me interessado também. Me desculpe por não conseguir ser menos, por não saber ser menos, por não ser igual a todas as garotas que você encontrou na sua vida que não estiveram a disposição mesmo querendo estar.

Me desculpe pelos traumas que a sua ex deixou, por ter te feito frio, por ter te deixado com medo do amor. E desculpa mais ainda por ter chegado depois dela. Me desculpe por tentar remexer tudo aí dentro, por buscar um espacinho nos teus dias, por ter aceitado os espacinhos que me destes. Me desculpe por não ter conseguido acabar com nós dois e por ter acreditado quando você disse que me queria aqui.

Me desculpe se eu tenho voz, se eu tenho pulso forte, se eu não uso máscaras, se eu não faço jogo e te assusto tanto sendo exatamente como eu quero ser. Me desculpe por você não saber lidar com minhas urgências, por você ser tão pouco podendo ser muito. Me desculpe por tua mania de distanciar todas as possibilidades de acerto só pra massagear o ego sentindo que ta sob o controle. Me desculpe por você ser tão vazio às vezes.

Me desculpe por ter me entregado tanto, por ter me apaixonado, por ter te feito me pedir desculpas e vir até aqui. Me desculpe por ter te dado meu colo quando você estava triste, por ter te feito sorrir no dia em que você estava irritado e por ter te feito sentir minha falta. Me desculpe por ter acreditado nas tuas verdades e mentiras, por ter te aceitado exatamente como é, por ter sido o carinho que lhe faltava. Me desculpe se fui boa o bastante. Me desculpe pela sua falta de interesse.

Você tem razão, a culpa é toda minha.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

O melhor passageiro


Sabe quando as coisas tem todos os indícios de que não vão pra frente e ainda assim continuam indo? Sabe quando os encontros parecem impossíveis, mas acontecem? Sabe quando você tenta fugir de algo e enquanto foge se aproxima mais? Sabe aquele "não" tão ensaiado que depois de dito não faz sentido algum porque o outro te faz perder o raciocínio e mudar de ideia?

Isso sou eu e ele, a gente sabe. E o que mais me intriga é não conseguir mover o pé mesmo sabendo que somos uma bomba relógio prestes a explodir e virar nada. E quando eu me ouço dizendo que nós dois não temos futuro, sei que estou mascarando aquela vontade tão grande de que dessemos certo. Eu cheia de passado e ele também.. juntando tudo, nós quase sabemos que precisamos imensamente do novo. Ele com tanta confiança e eu com todo meu medo, um equilíbrio quase que premeditado.

E se tiver que ser mesmo.. O que eu vou fazer com toda essa minha sede de liberdade? E ele.. Onde vai largar tanto desapego? Suas cicatrizes quase invisíveis, minhas feridas quase não curadas, desconexos e conexos. Então ele me diz pra não ser tão racional, pra não ser tão birrenta, pra não ser tão intensa. Me diz pra não estragar tudo com essa minha pressa, pra não o apressar também porque o seu sossego é bom demais pra não se ter. E eu só consigo pensar de que eu preciso tanto não precisar disso, mas que agora eu preciso tanto também.

E depois de ver, ter e o ouvir de um jeito que poucos conseguem. Depois de conhecer seu caos e seu porto, seu descaso e sua preocupação, sua forma confusa de não querer me querer e me querer tanto também, só fico em paz. Porque eu tenho sido confusa mesmo e essa mistura de desejos e quereres me faz ficar tranquila. Ele trás o pior de mim quase sempre, mas me adormece com o melhor dele e isso é uma coisa que ninguém jamais soube fazer.

De todos os amores passageiros, de todas as relações efusivas, ele foi o que melhor me fez. A sua leitura sobre mim e a sua vontade de me melhorar mesmo que não seja só pra ele, me faz só agradecer e não chorar por mais um amor que não pode ser e não há de ser. Eu sei que ele já já vai levantar daqui, me dar um beijo na testa e dizer que é cedo demais pra continuarmos sendo. Eu sei que eu vou querer vê-lo arrependido e quase morrer de saudade. Mas depois eu só vou ter um "bem-te-quer" aqui no peito.

Eu sei e ele sabe, alguns amores são feitos pra durar pouco.

domingo, 30 de março de 2014

Lembrete

De tudo que poderia ter sido, resolveu ser nada. E nesse momento, olhar outros olhos estranhamente conhecidos, me faz lembrar de que eu não mereço tanta superficialidade. Ele não sabe ser melhor do que isso e eu não sei ser menor só pra caber na sua bagagem. Eis que pela última vez é dado meu adeus. Aqui, agora, não cabe mais nada além de um ponto final.

sexta-feira, 28 de março de 2014

Nunca vai saber


Você não sabe e provavelmente nunca vai saber, mas eu gosto de você. E gosto de um jeito que tortura de mansinho. Não sofro se você não vem, mas fico tão feliz quando me chama.

Você nem sonha, mas eu sonho com você. E nos meus sonhos você é assim, tão seu que chega quase a ser meu. Porque nós quase já fomos tão nosso que eu quase nunca sei como não ser dois. E você não parece entender que eu já to aí mesmo parecendo não estar.

Você é tão independente que eu me faço dependente só pra me fazer durar um pouco mais, mesmo que só, mesmo que longe. E você me diz que eu tenho traumas passados incuráveis e eu quase sofro só que você sorri antes e eu esqueço como que se faz pra sofrer ouvindo o teu riso.

Você sabe que me causa reações involuntárias mas não entende o que isso significa. Então você me provoca com palavras e bagunça o meu cabelo só pra me ouvir dizer que já não suporto mais seu jeito invasivo, mas a minha voz sai tão embaraçada que é quase uma súplica. E você sabe que é.

Você não me conhece e provavelmente não vai conseguir ficar até o fim. Porque você foge do que pode ser. E a sua fuga me lembra tanto aquela minha que sempre deixa de fazer sentido se tem você por perto. E o nosso encontro é sempre uma despedida porque você nunca consegue chegar sem sair.

Você me perde e nem se dá conta porque nem liga quando me ganha. Daí no meio da noite você quer que eu esteja do outro lado a espera do “amor”, e eu finjo que não to porque ser toda tua já me custa o bastante mesmo que em silêncio, mesmo que sem choro.

Você não imagina que virou um texto meu e que agora eu me lembrei da sua voz quando fala e da sua voz quando canta. E também nunca vai saber que eu ouvi mais de trinta vezes aquela música que me mandou, nem que aquele foi o momento em que você me ganhou. Você desconfia que eu posso ser sua, mas finge não saber só pra não ter que lidar com as possibilidades de acerto e de se apegar outra vez na vida. 

Você me tem mas não é inteligente o bastante pra continuar me tendo e de tudo que você não sabe só algo eu arriscaria te fazer saber: você vai, mas volta. E por hora, eu aguardo o teu retorno, o teu sotaque, a tua barriga de tanquinho que me tira do sério. Só que eu já não sou tão perdida e eu já sei de tanta coisa. Como por exemplo, de que essa espera não vai durar nem um mês.

Mas você não sabe. Nunca vai saber.

sábado, 15 de março de 2014

Rabiscado assim


No cantinho da agenda estava ele. No meio dos corações em frangalhos, no meio das inconstância, no meio de todo descaso, ele estava intacto. Não parecia que alguém podia sobreviver a tantos fracassos. Ninguém um dia pôde imaginar que havia no meio de tanta sensibilidade aquela força. E nos gestos, nas trocas de olhares, na reaproximação, ele soube provar que valia tanto.

Um dia questionaram sobre sua bondade e ele sorriu. Ele sempre sorria quando tentavam lhe compreender. Ninguém poderia. Ninguém jamais acompanharia. O coração dele tinha amor demais e ele não perdia tempo lutando contra isso. Ele tinha amor e ele o dava. Sem medida, sem pesar, sem esgotar. E as pessoas nunca souberam lidar com isso. As pessoas não tinha bagagem pra levar aquele tanto de amor que ele entregava.

Talvez ele ache, em alguns momentos, que é o culpado. Mas ele sabe que o seu amor não recebe o aconchego que devota porque não tem no mundo um outro alguém que acredite nesse amor tão limpo e não tem também quem o mereça. Ele fala amor, sorri amor, chora amor. E quem no mundo já viu isso? E quem no mundo acreditaria nisso?

Ele era o coração mais lindo de qualquer agenda. O coração cheio, o coração saudável, o coração com a cor mais viva que já puderam colorir. E ninguém descobriu, até hoje, o que fazer com tanta ternura. Ele às vezes sufocava. E sabia. Mas nunca deixou de o ser porque sabia que era muito e nunca quis ser menos. Ele era o que tinha de melhor.

E ela? Naquela vida ela não o merecia e só por saber ser tão pouco amor perto do amor dele, se fez agenda. Ele era dela. Em rabiscos. O coração.

quinta-feira, 13 de março de 2014

Sobre despedidas..


Já faz tempo que escrever não me toma tempo. Eu, que sempre fui só palavras, por dias me mantive vazia de letras e discursos. Aprendi a me calar, aprendi a assistir, aprendi a me deixar doer inteira até adormecer e, por fim, esvaziar. Sou seca, sou fria, sou vazia. Sou tudo que um dia não quis ser e que hoje, de alguma forma, quero tanto e sou tanto. Eu me doei e me doo o tempo todo. Isso me cansa e me energiza ao mesmo tempo. Não tenho controle sobre o que sou, quem sou e como sou. Isso me desespera. Isso me dá forças. Uma hora posso ser tudo, outra hora nem sei ser. E sempre tem alguém no canto da sala pra me dizer que sabe ser como eu sei não ser. E eu escuto, engulo, sorrio e choro por dentro sem que ninguém possa ver, inclusive eu.

Por que tudo ta mudado, mas tá tudo bem aqui. E a minha vontade é de me deixar um pouco mais em cada um, é de ser o melhor pra cada um, é de me fazer melhor pra cada um. As minhas tentativas quase sempre bem sucedidas, por vezes são vãs. E esses vãos me prendem e me puxam na direção contrária com uma força não antes percebida e sentida. Eu desço e subo tão rápido que quase nunca sei onde me encontro. Bem e mal, eu e eu. Tão só e tão acompanhada. Por mim, por eles, por tanta gente nova e sem conexão. Mas como pode haver encontros entre desencontrados? Perdidos foram feitos para se achar? Não sei ser perdida e não quero ser encontrada, só que o meio termo eu desconheço e, pra ser sincera, nunca me interessou.

Então eu sigo seguindo conselhos fáceis de se seguir e finjo que realmente me importo com os conselhos porque eu sou o meu conselho. E o resto do mundo me chama com tanto fervor que é impossível ficar parada, é impossível não gritar sim. Eu digo sempre que sei bem o que fazer, mas a verdade é que esse tempo todo eu não tenho sabido de nada. E a verdade das verdades, que, por fim, também me assusta, é que eu não me importo. E ter parado de me importar fez de mim isso que sou e não conheço. Mas eu me reinvento e me redescubro um pouco mais a cada dia, a cada novo, a cada lance.

Me despeço e recomeço esse reencontro ao meu encontro.