quinta-feira, 24 de julho de 2014
Eu Labirinto
Eu vinha andando em linha reta, sempre crédula de que mal algum havia de ter. E, bem, não sei ao certo em qual momento, mas o trem descarrilhou. Sensação de um esgotar profundo, não havia fôlego suficiente para administrar mentalmente o que eu tinha acabado de ouvir. No meio do caos... eu.
No dia que eu cruzei aquele lugar pela primeira vez, imaginei, quase como num sonho, as possibilidades que cabiam no curto espaço de tempo que nos demoramos. Me fazia rir ser sonhadora. Dei de ombros e fiz piada o percurso todo, por horas, por dias, por meses. E vi meu riso sugado.
Quando as coisas ao redor se acinzentam, algo que vem de dentro avisa que o controle não é mais teu. Mas eu já não me preocupava mais com controles e conduções. Sequer soube me conduzir e se isso ao menos me preocupasse, ok. Mas nada. Passiva, inerte, como um corpo que segue o ritmo da multidão.
Hoje sou círculos, sou curvas, quase que um labirinto. Não me encontro mais e quem dera alguém me encontrasse. Me mudei de lá. Caminho inverso para outros lugares e outras demoras. É assim que funciona quando um lugar te dói, quando um lugar tem nome, quando a demora te machuca.
quarta-feira, 16 de julho de 2014
Reflexo
Hoje eu acordei e não lembrei meu nome. Meu corpo mudou, meu rosto também, não pareço quase nada com a pessoa de uns meses atrás. Isso é bom quase sempre. Cada esquina me trás algo novo, cada rosto também. Minha percepção sobre tudo é outra, completamente nova, completamente leve.
Eu tenho tentado me entregar a isso. Tenho reprimido meu medo, minhas angústias, minhas expectativas. Tenho tentado ser intensa na medida certa. Confesso me perder várias vezes e, não saber bem quem eu continuo sendo, faz de mim uma dúvida. A minha emergência é um perigo latente.
Aprender a ser sozinha é lembrar sempre quem se é e isso faz de mim uma aprendiz em tempo integral. Eu vivo me perdendo nesse novo. Pessoas chegam sem pedir licença, eu chego sem pedir licença, mas depois da despedida, quem ficou aqui? Eu quase nunca sei bem quem eu deixei me levar. Só que sempre me levam.
No espelho um olhar pertinente me encara como quem sabe exatamente o que quer e onde se quer estar, e me deixa um sorriso de "relaxa, estamos bem" . O labirinto nunca me angustiou, instigou. E eu sei que mudei, eu sei que eu sou o que eu quiser ser. E vou ser o que me convir enquanto eu quiser. Não pira!
terça-feira, 8 de julho de 2014
Sobre não permanecer
Você pode fingir amor, você pode acreditar que vai melhorar, você pode ignorar que não vai pra frente, você pode ser louca, boba, idiota, mas sempre, sempre chega a hora em que a ficha cai. E aí, não tem reza, nem mandinga, nem apelo, nem forças maiores que te façam não enxergar o que por tanto tempo você fingiu não ver.
No momento em que percebemos que a ausência era apenas desinteresse, o coração dói inteiro. A ligação que não chegava, a mensagem não respondida, o encontro desmarcado pela terceira vez, tudo começa a fazer sentido. Ele apenas não te queria. Simples, trágico e apenas aprenda a lidar com isso... sozinha.
No geral, a gente tende a resistir aos finais. Mesmo que eles sejam bem resolvidos, no fim das contas não interessa se ele teve peito pra te olhar da mesma forma que fez no dia em que te pediu um beijo, só que pra dizer que já não dava mais. Como também não interessa se você já não fazia, no fundo no fundo, tanta questão daquele amor cansativo e que te esgotava. O final, em si, sempre dói.
E talvez, saber a hora certa de se despedir faça de você maior. Talvez, o nó na garganta e a lágrima no canto do olho apenas façam parte da cena. Mais uma cena. Basta que se tenha tato, basta que se tenha certeza do que você merece e, principalmente, do que você não merece. Saber onde se quer estar é a porta de entrada para perceber que daqui a pouco o sorriso é novo, o olhar também e, na pior das hipóteses, o adeus é teu.
Assinar:
Comentários (Atom)


