quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Em mim.


Ai eu olho pra mim mesma e pergunto como consegui chegar até aqui, como consegui aguentar cada algo errado. Fecho os olhos e relembro daquelas noites em claro de um ano atrás, do meu quarto se transformando no único lugar seguro pra mim, do travesseiro virando o meu melhor ombro amigo, da minha alma que não cessava nunca de doer, lamentar e avisar que tava pesado demais. É inevitável más recordações, é quase impossível, ainda que eu não traga mágoas, viver como se nada tivesse acontecido. A vida cobra (na marra mesmo) e a gente amadurece. Porque se nada acontecer quem vai abrir a cabeça? E hoje eu entendo que cada lágrima tinha mesmo que ter caído, que cada choro tinha mesmo que ter chegado, que cada mentira tinha mesmo que ter sido contada. Hoje eu entendo que sem alguém tão infinitamente imaturo eu não teria amadurecido. E só pra (me) esclarecer vem de sobressalto a ideia de que isso ainda é muito pouco para o que há de vir. A única diferença é que agora o peito tá firme, o queixo ta erguido e eu encontrei no único lugar em que não procurei naqueles dias a força que eu precisava. Em mim.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

no fundo, eu sei que é!


Eu quero que você me diga todas as palavras que dizes nos nossos encontros só mais uma vez, quero que sejas aquele príncipe que me ganha a cada aparição só pra que eu não guarde tanta saudade pós-despedida. Eu quero que me toques sutilmente, naquela medida, na nossa medida, me ganhando cada vez mais. Quero seu jeito atrapalhado bem aqui, a mania que tens em persistir com aquelas tuas manias ridículas que me tiram a paciência – como o som nas alturas do teu carro – só pra quando chegarmos em casa e deitarmos na cama pra falar sobre nosso dia, como de costume, eu te olhe tão lindo, tão preocupado, tão atencioso e tão infinitamente capaz de me fazer esquecer o bobão que és. Eu quero mais ligações com o “minha princesa” na voz linda que só eu conheço e no jeitinho tão teu só dado a mim. Quero você, tão homem, sendo o meu bebê aqui e agora só pra que o mundo pare um pouco e essa minha mania chata de complicar a (nossa) vida cesse por um tempo e me faça tranquila. Eu quero, principalmente, não ter que admitir que a sua presença é a força que gera estabilidade e felicidade sem fim a mim, e que eu sinto, mesmo depois de anos, que a minha necessidade por você pode ficar implícita por vezes, mas nunca acaba. Porque admitir isso seria mais uma vez dar-me por vencida e correr o risco de me perder de mim ao te procurar sem pesares de novo. Seria me entregar demais, me doar demais, me permitir retomar caminhos que tenham possibilidades de serem frustrados novamente, ainda que digas que não. Por isso, é bem mais aceitável que eu continue te querendo assim, te querendo aqui e fugindo da certeza de que não é preciso que eu admita para que seja. Porque, no fundo, eu sei que é, no fundo, eu sei que já tá sendo. Correndo riscos ao querer você.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Tuas marcas em mim.


E quando eu vejo aquele sorriso que me fazia ganhar o mundo, aquela carinha de menino bandido que movia montanhas pra me ver sorrindo, os braços que por um tempo foi meu descanso, meu conforto, meu abrigo, eu falo pra mim mesma "aguenta menina, você tá firme, você é forte". E repito aos quatro cantos a dimensão do passado que você se tornou escondendo que nesse presente só o que peço é o nosso passado no futuro. Assim... complicado mesmo, misturado mesmo, como nós dois sempre fomos, e que sendo que mal teria? E descubro só agora que esse meu desejo no fundo no fundo de vingança é minha alma desejando teu retorno, é o meu querer que não sacia, que não tem fim. E me pego imaginando que quando você voltar tentando ficar eu te direi que não, mesmo sabendo que minto pra mim mesma só pra não deixar tão visível nos meus atos que não acredito em um fio sequer no final desse pensamento. Não querendo deixar visível, não querendo deixar rastros eu me descubro tão boba ao lembrar das cicatrizes (consequência das nossas loucuras) que rodam todo o meu corpo e estranhamente me deixam feliz e inibem a vontade de esforçar-me para tirá-las e, até mesmo, esquecê-las. É como se cada momento tivesse me marcado fisicamente forçando-me a te ter presente. E ai me pego imaginando onde possivelmente estão... e deve ter alguma na testa dos beijos antes e após dormimos, outra na boca dos melhores beijos dessa vida, e com certeza nas costas e mãos dos teus dedos que faziam carinho sem pedir, e me perco ao pensar nas inúmeras possibilidades das marcas que me deixastes agradecendo porque a maior delas, que foi a de quando você partiu, tá num lugar de difícil acesso. Irônico ou não, o que mais me dói é o que me deixa tranquila. E não, não negarei que essa tua estampa em mim por vezes incomoda, mas de fato, em contrapartida, é o que me fortalece. Ainda que essa força seja usada involuntariamente pra reforçar a esperança no que quase fomos e um dia seremos. Afinal, daquele sorriso predileto às cicatrizes deixadas por ti, ficou a doçura dos nossos momentos, ficou o prazer que ganhei em ter você tão meu por dias. Como lembrar de tudo isso e ter sucesso com a frase que sempre (me) repito?  Agora vou aguentar firme e repetir com sinceridade pra mim mesma "poupa esforço, menina. Tu és forte, mas teu amor é mais". Fim.