Ai eu olho pra mim mesma e pergunto como consegui chegar até aqui, como consegui aguentar cada algo errado. Fecho os olhos e relembro daquelas noites em claro de um ano atrás, do meu quarto se transformando no único lugar seguro pra mim, do travesseiro virando o meu melhor ombro amigo, da minha alma que não cessava nunca de doer, lamentar e avisar que tava pesado demais. É inevitável más recordações, é quase impossível, ainda que eu não traga mágoas, viver como se nada tivesse acontecido. A vida cobra (na marra mesmo) e a gente amadurece. Porque se nada acontecer quem vai abrir a cabeça? E hoje eu entendo que cada lágrima tinha mesmo que ter caído, que cada choro tinha mesmo que ter chegado, que cada mentira tinha mesmo que ter sido contada. Hoje eu entendo que sem alguém tão infinitamente imaturo eu não teria amadurecido. E só pra (me) esclarecer vem de sobressalto a ideia de que isso ainda é muito pouco para o que há de vir. A única diferença é que agora o peito tá firme, o queixo ta erguido e eu encontrei no único lugar em que não procurei naqueles dias a força que eu precisava. Em mim.

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