Não sei se a culpa foi do vinho, do tom da voz, da música que tocava ou do não-querer-meu-querer, as lágrimas simplesmente me tomaram naquela noite. O dia que havia sido tão cheio de delícias, de risos, brincadeiras, da sua presença que não havia me incomodado nem um pouco, se destorceu em uma noite confusa. Tão sincero quanto clichê o fato de que não é normal esse laço unilateral que ficou, que não tem fim, que eu insisto em fugir e, ainda assim, não passa. Vivo imersa em esperanças que não me são dadas, vivo fantasiando um futuro que não chegará, ensaiando conversas que não terei, criando momentos que não virão, desejando aquele teu sorriso que um dia foi tão meu e que não tem como voltar a ser. Entre os meus desejos estão a vontade de que essa inconstância me deixe em paz, que eu sobreviva as suas aparições não só na hora, mas principalmente no pós, que eu pare de me perguntar que se aquilo não era amor que porra era, o que me faz ficar assim e que linha invisível é essa que me prende a você mesmo quando eu já nem te peço. A cada dia vou me convencendo que tenho me curado totalmente de você e quando realmente acredito enchendo o peito de orgulho pra falar "ah, ele passou!", chega você exclusivamente pra provar o quanto sou idiota. O que me resta neste momento é esvaziar o peito da hipocrisia e enchê-lo da certeza de que não foi o vinho, a música ou qualquer outra coisa, foi só você e o seu jeito inexplicável, os dias que não esqueço, os momentos que nada pode apagar. A culpa além de minha é (muito mais) sua. A diferença é que hoje só interfere em mim. Entenda bem, hoje.

Nenhum comentário:
Postar um comentário