Três horas da manhã e o meu sono parece nem ameaçar chegar. Vou da sala pro quarto recolhendo minhas bagunças na tentativa de despertar um interesse em ficar na cama, deitar e até dormir, por que não?! Deito e penso nele, escuto o celular vibrar e deve ser ele, escolho uma roupa para festa de mais tarde que vou com ele. Entre mil desejos, inclusive o de pegar no sono, o que tem mais força é o de que ele continue intacto.
O fato é que eu tenho tido medo de morrer de amor. Parece simples, eu sei, mas morrer de amor é ainda pior que morrer de verdade. E pra falar a verdade é contraditório já que é assim que eu me sinto. E será? O sono chegou? Não, mas a imagem do sorriso dele sim. A lembrança da noite passada em que mal pude respirar por causa das pernas dele sobre mim que intensificam mais ainda essa minha morte. E que no fim das contas não resgata nada de "pior", pelo contrário.
Pensar no amor que é ele e vindo dele me faz desfalecer. Assim do tipo morrendo mesmo e pedindo socorro de amor. Como se ele não tivesse me trazido para casa há poucas horas. E é bizarro sentir medo de algo tão concreto quando o bizarro mesmo é não ter nada de bizarro nisso tudo. Já morri de amor algumas vezes e em algumas delas as recordações são péssimas. O problema é que ver o amor morrer por si é desesperador. E ele morre tanto.
Relações efêmeras não me deixam mentir. Só que ele não é efêmero, é? Não. Ele tá aqui a quatro anos. Indo e vindo, mas tá. E pouco importa se o motivo pelo qual escrevo chama-se insônia e a razão para se ter medo é inalcançável, morrer de amor acontece e independe de mim. Quantas vezes já concluí isso? E quantas vezes também fiquei feliz por morrer de amor? Hilário esse gastar de frases e palavras e tempo e ideia mal construída. Dormir para vê-lo e acordar para encontrá-lo não significa nada que não seja "morro de amores por ele"... e se me faz sorrir... que dure! Eu aceito.


