sexta-feira, 20 de julho de 2012

Viver de Amor...


Três horas da manhã e o meu sono parece nem ameaçar chegar. Vou da sala pro quarto recolhendo minhas bagunças na tentativa de despertar um interesse em ficar na cama, deitar e até dormir, por que não?! Deito e penso nele, escuto o celular vibrar e deve ser ele, escolho uma roupa para festa de mais tarde que vou com ele. Entre mil desejos, inclusive o de pegar no sono, o que tem mais força é o de que ele continue intacto. 

O fato é que eu tenho tido medo de morrer de amor. Parece simples, eu sei, mas morrer de amor é ainda pior que morrer de verdade. E pra falar a verdade é contraditório já que é assim que eu me sinto. E será? O sono chegou? Não, mas a imagem do sorriso dele sim. A lembrança da noite passada em que mal pude respirar por causa das pernas dele sobre mim que intensificam mais ainda essa minha morte. E que no fim das contas não resgata nada de "pior", pelo contrário.

Pensar no amor que é ele e vindo dele me faz desfalecer. Assim do tipo morrendo mesmo e pedindo socorro de amor. Como se ele não tivesse me trazido para casa há poucas horas. E é bizarro sentir medo de algo tão concreto quando o bizarro mesmo é não ter nada de bizarro nisso tudo. Já morri de amor algumas vezes e em algumas delas as recordações são péssimas. O problema é que ver o amor morrer por si é desesperador. E ele morre tanto.

Relações efêmeras não me deixam mentir. Só que ele não é efêmero, é? Não. Ele tá aqui a quatro anos. Indo e vindo, mas tá. E pouco importa se o motivo pelo qual escrevo chama-se insônia e a razão para se ter medo é inalcançável, morrer de amor acontece e independe de mim. Quantas vezes já concluí isso? E quantas vezes também fiquei feliz por morrer de amor? Hilário esse gastar de frases e palavras e tempo e ideia mal construída. Dormir para vê-lo e acordar para encontrá-lo não significa nada que não seja "morro de amores por ele"... e se me faz sorrir... que dure! Eu aceito.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Lamentos e mais nada.



A pior parte dos momentos ruins é que eles nunca se apagam. Você ta firme, mudou o disco, esvazio o peito, encheu o coração, mas a memória continua intacta. Dias, semanas, meses sobrevivendo longe daquilo que um dia fez mal, vivendo o novo momento, as novas angústias, os novos sentimentos... Puft! O cérebro te leva de volta em um segundo a tudo aquilo que, embora hoje não faça sentido, um dia te feriu muito. Em questão de minutos o coração aperta, o nó na garganta ressurge e aquela dorzinha (re)toma seu espaço. Você sabe que ela não veio pra ficar, você sabe que já não faz mais parte disso tudo, o cenário enfim mudou, as pessoas e você também, e ainda assim permite que ela te toque, te tenha. Embaralha a cabeça, desconcerta decisões. Lembranças que atordoam ao mesmo tempo que ferem, e o desejo cada vez mais gritante de abandoná-las, de se ver livre. É mesmo difícil controlar o ar e manter a calma. É complicado não trazer a angústia de volta, não deixar interferir no presente. Os momentos ruins te fazem crescer principalmente porque não te deixam esquecer o quanto és frágil. Foram eles que moldaram quem és hoje e são eles os “pés no chão” que terás a vida toda. Angustiante mesmo, presente mesmo... e insuperável. Faz parte.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Bandeira Branca


Fechei os olhos e imaginei como seria um dia ser pega de surpresa, desejei ganhar uma surpresa. Como qualquer mulher eu fantasio momentos, ensaio diálogos e quase sempre vejo-os morrerem juntos. Será que não dá pra invadir meus espaços com um gostinho de "te peguei"? Eu vivo movimentando a cena do inesperado, do descaso que é sempre maravilhosamente detido e: nada. Vivo perdendo olhares, deixando pistas, dando de ombros e é vão. 

Pra que tanto ensaio, tanta espera e tanto desejo? A frustração geralmente vem grudadinha e pedindo pra que eu deixe de romantismo tolo e sem pausas. Muita calma porque eu não sei ser assim. Aprendi a ser dura na queda e não pesada no vôo. Pés no chão fazem bem a longo prazo, mas não dão espaço a maravilha que é flutuar. Ok, to pirada nesse lance de final feliz sem necessariamente ter final, mas que mal há? Surpresas geram recompensas, sabiam?

E o que isso muda? Nada. Elas me parecem cada vez mais distantes. Toda doçura e magia dos momentos que elas trazem parecem não pretender preencher a minha vida sempre tão certa. Sim ou não e fim. O arregalar dos olhos, o abraço apertado, as lágrimas de emoção e a tontura enlouquecedora acenam pra mim numa distància que me tira o fôlego. Não depende de mim buscá-las, não depende de mim trazê-las. Sinto-me partida por isso. Sinto-me esvaziando das esperanças. Quem iria se dispor? Provavelmente ninguém. Me rendo a toda falta de romantismo. Não devo ter nascido para tê-lo. Bandeira branca.