quarta-feira, 11 de julho de 2012

Bandeira Branca


Fechei os olhos e imaginei como seria um dia ser pega de surpresa, desejei ganhar uma surpresa. Como qualquer mulher eu fantasio momentos, ensaio diálogos e quase sempre vejo-os morrerem juntos. Será que não dá pra invadir meus espaços com um gostinho de "te peguei"? Eu vivo movimentando a cena do inesperado, do descaso que é sempre maravilhosamente detido e: nada. Vivo perdendo olhares, deixando pistas, dando de ombros e é vão. 

Pra que tanto ensaio, tanta espera e tanto desejo? A frustração geralmente vem grudadinha e pedindo pra que eu deixe de romantismo tolo e sem pausas. Muita calma porque eu não sei ser assim. Aprendi a ser dura na queda e não pesada no vôo. Pés no chão fazem bem a longo prazo, mas não dão espaço a maravilha que é flutuar. Ok, to pirada nesse lance de final feliz sem necessariamente ter final, mas que mal há? Surpresas geram recompensas, sabiam?

E o que isso muda? Nada. Elas me parecem cada vez mais distantes. Toda doçura e magia dos momentos que elas trazem parecem não pretender preencher a minha vida sempre tão certa. Sim ou não e fim. O arregalar dos olhos, o abraço apertado, as lágrimas de emoção e a tontura enlouquecedora acenam pra mim numa distància que me tira o fôlego. Não depende de mim buscá-las, não depende de mim trazê-las. Sinto-me partida por isso. Sinto-me esvaziando das esperanças. Quem iria se dispor? Provavelmente ninguém. Me rendo a toda falta de romantismo. Não devo ter nascido para tê-lo. Bandeira branca.

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