A pior parte dos momentos ruins é que eles nunca se apagam.
Você ta firme, mudou o disco, esvazio o peito, encheu o coração, mas a memória
continua intacta. Dias, semanas, meses sobrevivendo longe daquilo que um dia
fez mal, vivendo o novo momento, as novas angústias, os novos sentimentos...
Puft! O cérebro te leva de volta em um segundo a tudo aquilo que, embora hoje
não faça sentido, um dia te feriu muito. Em questão de minutos o coração
aperta, o nó na garganta ressurge e aquela dorzinha (re)toma seu espaço. Você
sabe que ela não veio pra ficar, você sabe que já não faz mais parte disso
tudo, o cenário enfim mudou, as pessoas e você também, e ainda assim permite
que ela te toque, te tenha. Embaralha a cabeça, desconcerta decisões. Lembranças
que atordoam ao mesmo tempo que ferem, e o desejo cada vez mais gritante de
abandoná-las, de se ver livre. É mesmo difícil controlar o ar e manter a calma.
É complicado não trazer a angústia de volta, não deixar interferir no presente.
Os momentos ruins te fazem crescer principalmente porque não te deixam esquecer o quanto
és frágil. Foram eles que moldaram quem és hoje e são eles os “pés no chão” que
terás a vida toda. Angustiante mesmo, presente mesmo... e insuperável. Faz
parte.

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