Já faz tempo que escrever não me toma tempo. Eu, que sempre fui só palavras, por dias me mantive vazia de letras e discursos. Aprendi a me calar, aprendi a assistir, aprendi a me deixar doer inteira até adormecer e, por fim, esvaziar. Sou seca, sou fria, sou vazia. Sou tudo que um dia não quis ser e que hoje, de alguma forma, quero tanto e sou tanto. Eu me doei e me doo o tempo todo. Isso me cansa e me energiza ao mesmo tempo. Não tenho controle sobre o que sou, quem sou e como sou. Isso me desespera. Isso me dá forças. Uma hora posso ser tudo, outra hora nem sei ser. E sempre tem alguém no canto da sala pra me dizer que sabe ser como eu sei não ser. E eu escuto, engulo, sorrio e choro por dentro sem que ninguém possa ver, inclusive eu.
Por que tudo ta mudado, mas tá tudo bem aqui. E a minha
vontade é de me deixar um pouco mais em cada um, é de ser o melhor pra cada um, é de
me fazer melhor pra cada um. As minhas tentativas quase sempre bem sucedidas,
por vezes são vãs. E esses vãos me prendem e me puxam na direção contrária com
uma força não antes percebida e sentida. Eu desço e subo tão rápido que quase
nunca sei onde me encontro. Bem e mal, eu e eu. Tão só e tão acompanhada. Por
mim, por eles, por tanta gente nova e sem conexão. Mas como pode haver
encontros entre desencontrados? Perdidos foram feitos para se achar? Não sei
ser perdida e não quero ser encontrada, só que o meio termo eu desconheço e, pra ser sincera, nunca me interessou.
Me despeço e recomeço esse reencontro ao meu encontro.

Eu sempre me identifico com seus textos. O mais incrível é que todas às vezes que você posta algo, tem a ver comigo, com algum momento que eu tô passando ou já passei. Beijos ♥
ResponderExcluirLetícia, sempre tão fofa! :) Saiba que voltar a escrever ganha sentido quando a gente sabe que alguém especial nos lê. Brigada. Beijo <3
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