quinta-feira, 7 de julho de 2011

Vai (me) entender...



Seja como for, alguma coisa aqui dentro mudou. Desde o dia em que minha vida desmoronou e eu, sozinha, recolhi todos os cacos. Por descuido, seu descaso me atingiu em cheio derrubando as muralhas que me mantinham protegida. Por descuido, sua infantilidade assumiu todas as rédeas e desviou nossos caminhos. Naqueles dias eu estive perdida e, como todos diziam, o oposto do que sou. Ao aprender a viver com ele, eu desaprendi a viver comigo. E certas lembranças ainda machucam, muitas delas insistem em permanecer, torturar, se fazer presente. O casulo que virou meu quarto, o rio que transbordou meu travesseiro, o branco dos olhos que deram lugar ao vermelho, ao vazio. Trago em mim detalhes passados que talvez não sejam esquecidos mais nunca, detalhes que são na verdade cicatrizes, cicatrizes que, por sua vez, não me permitem fingir que nada aconteceu. E hoje, quase um ano depois de tudo que aconteceu, vejo ele voltar. E isso era tudo que eu pedia a cada noite antes de dormir, mesmo sem forças, mesmo desacreditando, mesmo sem perceber que no fundo eu já não mais queria. Ter ele aqui, em mim, enfim, foi tudo que eu desejei... mas que agora, não sei. A confusão que todo esse retorno tem me causado não estava nos meus planos. Torci para que quando esse dia chegasse estivesse aqui um alguém decidido e com uma resposta na ponta da língua - independente de ser um sim ou um não - mas decidido. Esperava meu sorriso sincero e sutil sem que fosse preciso complementos. Tudo que eu sempre desejei aconteceu, eu só não sei o que fazer com tudo isso porque eu não estava preparada, eu não esperava. Eu me preocupei tanto em ser melhor para mim, em ser mais esperta, mais fria, mais calculista (como era antes de começarmos) que toda essa mudança me fez virar a página ou achar que virei. Eu não sou mais a mesma, ele também não é e eu, por alguma razão, não sei se isso é bom ou ruim. Ainda acho que possamos ser feliz de novo, mas os detalhes, ou melhor, as cicatrizes me fazem olhar em volta antes de dar um passo a frente. Me fazem questionar a todo momento se vale a pena arriscar. E olha só, depois de tanto tempo tentando reerguer minhas muralhas, chego a conclusão que é ele, talvez, que esteja faltando para fazê-la erguida e completa. Ironia da vida. Vai (me) entender?!

Nenhum comentário:

Postar um comentário