segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Espelho meu!


Enquanto minha mãe arruma suas malas eu fico pensando no quanto esse ano nos marcou e no quanto vou sentir falta do seu abraço quando zerarem os ponteiros do último dia do ano. Lembro que ela, muitas vezes sozinha, acreditou em mim enquanto eu estudava para o vestibular e as lágrimas que derramamos juntas no início desse ano com a minha aprovação - ela chorando até mais que eu. Minha mãe esteve comigo até mesmo nos momentos em que era ela que precisava de colo. Uma porção de vezes deu lugar aos meus caprichos, entendidos por mim - naquela época - por dores. Como eu era infantil. Hoje eu afirmo com todas as letras que ela é minha melhor amiga. Crescemos nessa casa sozinhas e aprendemos a não depender de um pulso forte masculino. (Pra quê serve isso, afinal?) Depositamos nossos sonhos, esperanças, desejos e amor na outra, e por vezes só descansamos depois do abraço tranquilo e apertado. Como esquecer dos meus piores dias em que tudo que eu pedia era ela na minha cama a noite toda? Como esquecer a quantidade de vezes que torturei um coração que é majoritariamente meu? Como não lembrar de alguém que me ensinou a pensar nos outros, a ser uma pessoa melhor e construiu meu caráter tão forte? Hoje eu dedico todo meu amor a pessoa que, muitas vezes, me amou mais do que a si própria, a pessoa que abriu mão de seus desejos pra conceder os meus, a pessoa que não mede esforços pra me ver feliz e que, se eu não freia-la é capaz de me dar o céu. Hoje eu deixo claro que a prioridade da minha vida é compensar a vida toda que ela "deu" por mim e encher de ternura um coração tão puro. E nesse final de ano, mesmo tendo-a a quilômetros de distância, farei uma prece pra que em troca do abraço que eu não darei, toda felicidade inunde o ambiente em que ela estiver. Ela merece todos os anos novos desse planeta e, no fundo, ela sabe disso!

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