terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Relicário


Eu conheci meu grande amor na escola. Pirralho do cabeção e cabelinho escorrido, correndo suado e jogando bola no recreio. Jamais tive pretensão de tê-lo como namorado, inclusive porque na época não pensávamos nisso. Eu vi meu grande amor dar alguns dos seus primeiros beijinhos nas menininhas do colégio, o vi crescer e ganhar corpo, o vi arrumar a primeira namorada - que por sinal era minha melhor amiga. Eu vi meu grande amor ser desapontado, o ajudei a não decepcionar tanto outras pessoas e lhe falei sobre o quanto meu namorado da época vinha perdendo o espaço. Eu ouvi do meu grande amor frases exclusivas de um grande amigo, conselhos que mostravam exatamente que ele sempre estaria ao meu lado. Meu grande amor cortou o cabelo, colocou um brinquinho e se tornou um homem. De alguma forma que não sabemos explicar e sem uma data específica para o ocorrido, depois de anos, mudamos a visão que tínhamos do outro. Ele insistia em me roubar selinhos e eu insistia em tê-lo por perto. Por vezes forçamos encontros e diálogos até, por fim, trocarmos o primeiro beijo. Inexplicavelmente nos vimos envolvidos demais e dispostos a levar a diante. Namoramos muito. Eu e meu grande amor vivemos a melhor parte da adolescência juntos e descobrimos os altos e baixos de qualquer relacionamento. Fomos, acima de tudo, bons amigos e presenciamos momentos importantes da vida. Experimentamos as melhores e piores partes de um amor e nos distanciamos após dois anos de namoro. Eu vi meu grande amor curtir a vida e questionei por muito tempo se todo aquele tempo tinha valido de algo. Conclui que deveria curtir também e passamos, enfim, um ano separados. Confesso que foi difícil enxergá-lo apenas como um passado bom e ele, por vezes, insistiu em dificultar. Um grande tempo afastados me fez retomar a vida, dar espaço a outro alguém e ficar convicta de que ele havia passado. Ao perceber meu desdém, meu grande amor voltou com toda força e insistiu com todas as forças pra que eu voltasse também. Tentou abrir meus olhos e enxergar o que antes ele mesmo não havia enxergado e me fez perceber que em todo esse tempo, inexplicavelmente, permanecemos intactos dentro do outro. Me convenci de que seria bom reconstruir algo que um dia foi tão especial, mesmo sabendo que as circunstâncias haviam mudado. Sim, eu e meu grande amor mudamos muito, amadurecemos. Essas mudanças não nos fizeram amar menos ou acreditar pouco no que existe entre nós. Apenas somos mais independentes e, por isso, sujeitos a se entregar ao outro por opção própria, enquanto for bom, enquanto for sincero, enquanto não mudarmos. Digo ao meu amor que ele é meu grande amor e confirmo através das minhas atitudes. Sinto seu amor por mim todas as manhãs, sinto seu amor por mim quando mantém a calma diante minha euforia, sinto seu amor por mim quando me escolhe a cada segundo e repito com muito entusiasmo: engraçado nossa capacidade de nos escolher mais de uma vez!

dedicado ao grande e melhor amor: Igor Silveira. <3

Um comentário:

  1. Simplismente lindoooo.....palavras descreveram a grandiosidade de um amor.....!

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