quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Vens e Vais .


Não importa a quantidade de coisas que tenhas vivido, a qualquer momento tudo pode virar nó, tudo pode virar poeira. Independente do tempo, independente de quem, sempre vem algo pra mostrar que sim, as coisas sempre mudam e as pessoas também. E o resultado disso é a nossa fragilidade (antes não sentida) tão nítida e exposta. O resultado disso é um mundo lotado de gente e você - no fundo - sozinho. 

Desapego: talvez essa seja a palavra chave da vida! Desapegar dos sorrisos, desapegar dos abraços, desapegar das lembranças. Uma manobra forçada pra dor talvez sumir, a última opção depois das milhares tentativas de retorno. Mas não é fácil se despedir de alguém que um dia amastes tanto, não é fácil ver que uma fase passou e levou consigo milhões de rostos. É preciso escolher entre você no presente e você no passado. É preciso desapegar do amor, desapegar da cumplicidade, desapegar da saudade para desapegar - finalmente - da dor. 

A verdade é que não temos como nos proteger... pessoas entram o tempo todo nas nossas vidas e saem também. Deixam recordações que preferimos esquecer ou ficam do nosso lado até o fim. Talvez seja mesmo necessário aceitar este fato. Aceitar a possibilidade do ficar pra sempre ou do adeus - e infelizmente é mais provável que isso aconteça. Aceitar ao ponto de sentir a perda antes dela acontecer, antes da pessoa partir. E eu, particularmente, faço disso meu refúgio. Me despeço o tempo todo de coisas que não se vão, como se fosse o fim da linha, o último suspiro. O que me garante que não é?

O problema é que às vezes dói um pouco (e desesperadamente). Às vezes machuca só a possibilidade de ter que desapegar de algo ou alguém (principalmente alguém). Não tão raro, me pego olhando rostos que hoje são meus e pensando em como vai ser quando não forem. Dá pra medir a tristeza disso? Dá pra imaginar o sufoco que vem embutido na gente? E se eu não quiser dizer adeus? Não importa.

E no final, eu odeio sentir medo de perder alguém. E odeio mais ainda saber que esse medo tem fundamento... eu já perdi outros alguéns um dia. Perdi amigos de colégio, amigas de infância e pessoas que nem dei ou tive oportunidade de fazê-las amigas. Perdi um pai presente, uma melhor amiga diária e as duas melhores vós do mundo. E a parte mais triste disso tudo é ver pessoas se perdendo por besteira o tempo todo e por opção. Talvez elas não saibam a dor que é procurar olhos que não se abrirão mais nunca nessa dimensão. Essa perda sim, dói mais que todas.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Sobretudo: Saudades



A flor no deixou com os corações num vazio, foi levada sem aviso prévio, foi embora sem se despedir. Eu to aqui juntando os cacos dessa ausência, juntando os cacos de quem se quebrou inteiro. E eu também estou partida, eu também estou vazia perdida no caos, perdida nos sorrisos do mundo que parecem me matar mais ainda de tristeza. Acho que eu queria que o mundo todo sentisse essa dor, queria que o mundo todo se sensibilizasse com a despedida remota que nos machuca tanto. Queria ser egoísta e que esse meu egoísmo fosse levado em conta, só pra ver que o mundo olhou pros nossos pedaços no chão e sentiu o que estamos sentindo. Queria não sorrir agora, não ouvir piadas, não achar um filme engraçado, só pra depois não me sentir culpada de ainda ver graça no mundo que perdeu a melhor pessoa que eu já conheci. Queria abrir os olhos desse pesadelo que não acaba por mais que eu tente e tê-la de volta com sua frases, seu jeito, seus sonhos. Sonhos. Queria que seus sonhos fossem realizados não por necessidade de honrá-la pós partida e sim pela única certeza de que ela merecia qualquer coisa que desejasse em vida. Queria sua fé, queria sua força, sua garra, queria ouvi-la falar que eu precisava aprender a cozinhar e que o seu neto seria feliz comigo de qualquer forma. Queria as frases sobre nossos amigos, os conselhos tão ingênuos e tão certos, o abraço apesar dela estar suada e relutante. Queria poder rir das suas implicâncias, do seu amor desmedido e da sua sinceridade sem fim. Queria tudo isso sem sentir saudade, tudo isso sem sentir a perda. Como pode tudo se ajeitar depois? Meu coração não tem resposta, não tem esperança quando olha os dois pares de olhos negros que tem sentido mais do que eu o adeus que a flor nos deu. Ela que não teve filhos, mas que os criou como seus, os amou como seus. Foi mais mãe que muita mãe por aí, deu seu sangue mesmo não sendo do mesmo sangue. E eu só quero que ela descanse em paz, que ilumine do lado de lá o que sempre iluminou aqui. Sem clichês: ela era um anjo em vida! E eu sei que a tormenta vai passar por mais que não pareça, eu sei porque eu a ouvia falar que nunca nos desampararia. Ela não quebrava promessas.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Alguns Tons, Minha Valsa.



O vento nas novas cortinas vinha anunciar um novo dia, pude ouvir passarinhos sussurrando bom dia e me cobrindo de coragem. Os tons vermelhos pareciam ter tomado conta da minha fortaleza e o meu cabelo só queria respirar. Levantei tocando meus traços espalhados pelos quadros, retalhos e papéis de parede, sentindo orgulho de mim. Nos meus pés o tapete preferido entre todos os outros que trouxe pra casa - talvez a minha mania de ter pés agasalhados tenha ultrapassado os limites. Ter muitas manias requer desdém, requer leveza, então dei de ombros. Eu desfilava na ponta do pé do quarto à cozinha, desfilava meu pijama surrado com cheiro de neném, com cheiro de amor. Desfilava minha perna que implorava nova depilação contra vontade de todos os nervos do meu corpo. Às vezes podia jurar que era uma péssima ideia ter espelhos por todo lado desse apartamento, outras vezes eu só compreendia o motivo inicial: ver a pessoa que concretizou alguns sonhos. As cores que eu via em tudo, os mimos que me explicavam, a casinha de cachorro finalmente com dono. Meu olhar com rumo, por fim. Corte novo, roupas novas, meu estilo, meu espaço. Meu sonho.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Transcendência..



Abrir os olhos e continuar sonhando.

Enxergar no mundo o sorriso, o afeto, o sucesso.

Continuar sonhando mesmo com a vida toda mal planejada. Acima de todos os nãos.

Alguma ponta de felicidade iluminando a face, iluminando o caminho, clareando uma vida cheia de colapsos e apagões.

 Ver beleza no que não apetece e ainda assim adorar.

Sonhar, sonhar a ponto de voar e transcender.

Porque a vida é isso e mais que isso só tornando.


quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Tornamo-nos desconhecidos.


A indiferença nas palavras me feriam aos poucos, ainda que eu não deixasse transparecer. Percebi que aquilo me doía mas do que eu previra. A secura com que me tratou foi a mesma com a qual tem me tratado nos últimos meses, no entanto meu descaso mascarou-a a ponto de me fazer pensar que por mim tudo bem. Me enganei. De todos aqueles defeitos o que mais me magoa é a simplicidade com que consegue ignorar meus sentimentos, com que força me atingir. Onde afinal nos perdemos? Pouco do que foi bom me veio em memória, as tristezas contaminaram tudo, tudo, tudo. Frases soltas que me julgavam, minhas lágrimas, suas expressões pesadas sobre mim. Onde foi parar o amor? É difícil aceitar que passou, que o cuidado acabou. É mais difícil ainda se despedir de amigos, de senti-los como desconhecidos. Mas acontece.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Choveu Tristeza em Mim


Eu poderia jurar que era só costume e que em pouco tempo esqueceria, haveria de ser assim porque meu coração aprendeu a ser forte, pensei, mas fui contrariada pelos dias que se passavam aos montes e não levavam minhas lágrimas. O telefone trabalhava em conjunto com meu coração que a cada chamada saltava e parecia querer explodir com a possibilidade de ser aquela voz do outro lado da linha, aquela voz tão minha. Intuitivamente o procurava em todos os rostos e lugares e formas que, pensando bem, era a certeza de que eu nunca estive imune. Eu no fundo sabia que seria impossível encontra-lo na portaria do meu prédio depois de todas as frases ditas, impossível encontrar em qualquer canto que fosse. Deveria ter acreditado quando me prometeu sumir, talvez eu mesma deveria ter sumido quando ele parou de enxergar em mim o que eu nunca deixei de ser. Mas fiquei aqui com todos meus segredos e versos e frases viciadas. Fiquei porque achava que ele também ficaria e quando ele se foi minha alegria escorreu como chuva e eu me senti desmanchar. Cada cantinho do meu corpo chorou com a falta do toque e agora a nossa música ressoa lentamente em minha mente cheia de frases que fazem e desfazem o sentido, meus sentidos. 

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Onde se escondeu seu lado bom?



Talvez eu nunca compreenda a maldade humana. Nunca. Talvez eu nunca vá entender essa inveja, essa necessidade de pisar em alguém. Deve ser muito difícil ter uma vida voltada a tentar viver a vida dos outros, não é? Mas tem gente que se esforça pra isso.

Defeitos todo mundo tem. Mas você acha que é mais reconfortante gritar aos quatro cantos que eles existem, né? Te deixou feliz dizer que ela é sem graça? Ficou melhor depois de ter mandado sms pro namorado alheio? E agora.. você emagreceu quando chamou ela de gorda? E ele.. ele voltou pra você porque você disse que ela era muito pouco pra ele?

Não me leve a mal, mas pouco mesmo é você. Pouco pra ele, pra ela, pra esse mundo que já tem coisas poucas demais, gente rasa demais e você só é mais uma delas. A falta de espelho no mundo só não é maior que a de caráter e, particularmente, é muito triste. Que tal experimentar ser inteira?

Não, eu nunca vou entender. Não vou entender porque é um absurdo se vangloriar das perdas dos outros, é um absurdo essa vontade incessante de tentar acabar com o que não é seu, de não aceitar que não é seu.

É triste saber que é possível ser feliz? Então seja. Tente ser feliz. Mas por favor, pare de contaminar o mundo com a sua infelicidade e queixas e danos e reclamações. Experimente usar seu lado bom.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Dissolução


"Fraquejar" é um pouco forte pra mim que aprendi finalmente a sempre me reerguer. De toda forma, a única certeza é de que me perdi por um dia e não voltei cem por cento no outro. Em algumas poucas e demoradas horas refiz mentalmente toda trajetória da minha vida - que sei bem não se tratar de algo tão grandioso. Sentia todo amor construído em anos escorrer entre meus dedos igual minhas lágrimas que nem por um instante secavam. O medo escorria e sujava todo universo real e paralelo a minha volta, contaminava também. Uma parte minha ameaçava partir e eu não pude fazer nada se não implorar socorro. Um bom tempo passou, eu sei, mas uma lacuna bem posicionada foi firmada no meio do peito. Algo meu partiu pra que algo dele permanecesse. Dolorido e incompreensível, mas perfeitamente aceitável. 

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Procura-se uma Bolha


O mundo fincou em minhas costas. De repente sou a pessoa mais bem resolvida cheia de problemas pra resolver. Problemas que não são meus e de alguma forma são até demais. Ainda que me tome, prefiro me meter no meio de tudo do que esperar o amigo tempo vir resolver. Me parece impossível. Amigos precisam de amigos, precisam de conforto, precisam de carinho, proteção. A vida é tão dura às vezes que apenas um "acorda pra vida" a quilômetros de distância cai como o abraço mais reconfortante do mundo. Não me basta.

Queria ter o poder de aconchegar em meus braços cada coração partido, remediar, cicatrizar.. nem sempre consigo. Administrar vidas inteiras que parecem estar a beira do precipício por motivos tão singulares e, por vezes, fúteis, mas que também sinto como meus, é barra pesada. Não adianta que eu fale da menina que perdeu os pais, da criança que não tem o que comer, nos velhinhos que são diariamente jogados em asilos.. a dor cega, de uma forma completamente egoísta, cega. E é preciso que eu e minha mania de tentar resolver os problemas do mundo todo cegue junto, embarque na amargura, entenda a vontade súbita alheia de sumir do planeta. E se for preciso sumir junto. 

Não é fácil achar que tá tudo bem quando alguém que você ama chora dia e noite, é uma dor que também é sua. Queria meus amigos, minha família e meu namorado todos dentro de uma bolha. Incapaz de se magoarem, incapazes de me levar junto na tristeza. Quem me dera.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Vários remendos, alguns nós.


Irremediável. Algumas palavras simplesmente não devem sair de qualquer boca. Irritação precoce, estresse eminente, saco de pancadas. Não e não. Duas vezes mais alto o ato, a voz, a incredibilidade. Impossível aceitar algumas atitudes. Preferível dormir. Dormir mais do que nos últimos dias e perder a metade de um. Ignorar a rede, ignorar mensagens. Algumas desculpas soam vazias, soam sem sentido, sem compreensão. São verdadeiras, mas não anulam nada. Irremediável.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Boicote


A chuva tocou a janela do seu quarto naquela tarde, por um instante ela sorriu, adorava o cheiro dela quando tocava o chão e o clima frio tão raro naquela cidade. Ela gostou de sentir preguiça, gostou de ter um filme pra assistir, gostou de ter motivos pra comer besteiras sem culpa. Gostou tanto de tudo que quase esqueceu o motivo de estar trancada no quarto e tão só. 

Um dia antes ela o viu. Sem impacto, sem olhos arregalados, sem surpresa. Não houve reação alguma da parte dele que pareceu nunca ter sentido nada além de um algo que passou e enterrou. Depois de meses se martirizando ela deu de cara com quem menos queria, ou pelo menos fingia não querer. "Não sei e nem quero saber" embalava toda resposta que dava a qualquer pergunta que tinha o nome dele ou qualquer coisa próxima a sentimento e relações amorosas. 

O histórico do computador denunciava sua farsa. Era a primeira e última coisa que fazia ao se conectar: torturar-se. Milhares de fotos em novos álbuns que já não tinham seu aval ou o cuidado em organizar pra ele e sua preguiça sem fim. Novos sorrisos perto do dele que de tão antigo doía no peito, olhos ressacados, iludidos e perdidos. Quantas festas por mês ele era capaz de frequentar? Novos e velhos amigos e nem sombra de alguma saudade dela. O cabelo havia crescido e estava mais desarrumado que o normal, o rosto talvez tivesse novos traços ou alguns que a paixão havia impossibilitado de enxergar, talvez não continuasse tão lindo, mas, ainda assim, era lindo o bastante. Lindo o bastante pra continuar restando ali.

O percurso da recaída continuou e a próxima fase era sempre a das mensagens nunca apagadas do celular.. se resumia basicamente em uma releitura decadente das palavras lindas que um dia ele escreveu provavelmente sem se dar conta da dimensão que elas tinham. Ela sabia no fundo que eram só frases ensaiadas, ele já devia ter enviado as mesmas mensagens para milhares de garotas que, como ela, acreditaram no príncipe que nunca passou de sapo e podiam estar num quarto qualquer, de uma casa qualquer, chorando com a chuva, chorando sem ela ou nem pensando mais nisso. A vida segue, não é mesmo? 

O sol havia decidido não mais voltar naquele dia, as lágrimas dela também. Queria uma vida sem esses descasos, uma vida sem nostalgias, uma vida sem pessoas que, como ele, partiam na primeira oportunidade.  Ela não sabia, mas queria sim saber. Quando, afinal, as coisas começariam a dar certo? 

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Flores Brotam Sem Fim


No meio do abraço dei-me conta da imensidão que é o meu amor por ele. Talvez por ser aquele o dia em que a rotina voltaria me fazendo lembrar no quanto eram complicados os dias cheios de saudade. Eu implorei mentalmente a quem pudesse me ouvir que aquele abraço sempre fosse meu, que nós dois resistíssemos a mais um novo período. Confesso que essa minha fixação em aceitar a efemeridade de tudo às vezes cansa, mas não posso evitar. Eu sei que nem tudo resiste ao tempo, na verdade quase nada, e só pedi com força que continuássemos resistindo.

Ele falou um "eu te amo" tão cheio de verdade que se eu não pudesse ouvir teria lido em seus olhos e exatamente por isso apostei na resistência. Aquela manhã havia chegado com um gosto doce e uma sensação de nova estação, eu poderia jurar que algumas flores brotavam em cada parte de mim se isso não soasse tão surreal. Tive vontade de tomá-lo irracionalmente, como quando ganhei meu primeiro cachorro, centralizando, amando e impedindo que saísse de perto até o último suspiro. Dei-me conta que é a liberdade que nos prende. A nossa "resistência" vem da certeza de que não estamos aqui por obrigação. Lhe dei um beijo, desejei bom dia e o vi fitar meus movimentos com a certeza de que sou a sua escolha certa. Coincidência. 

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Nutriu-me


Segurei o choro e disse que não me permitiria sofrer novamente. Ele parecia compreender o significado daquela frase dura dita por mim. Me olhou com receio e um tanto de preocupação, seus olhos indagavam nitidamente o final dessa conversa. Tive certeza que as pessoas em nossa volta compreendiam o socorro que ele exalava sem, talvez, dar-se conta. Não finquei nada, só dei as costas. Enquanto andava um gosto de orgulho me nutria e rapidamente me tomava, eu não sabia o quão forte havia me tornado até que precisei ser. Nenhuma lágrima. A ausência do choro só não foi mais incrível que a calma que eu jamais havia experimentado antes. Peguei no sono no caminho pra casa, tive paz até nos pensamentos e concluí que finalmente estava anestesiada (e quem sabe ainda esteja). No meu corpo ainda pulsa a vontade de crescer sem pausas.. me sinto enorme. Minhas angústias jamais me abandonarão, aceitei por fim, com a condição de que agora não me reprimam mais. Atestei minha liberdade! Sou livre do choro, livre da fraqueza e cheia, cheia meeeesmo de mim. 

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Viver de Amor...


Três horas da manhã e o meu sono parece nem ameaçar chegar. Vou da sala pro quarto recolhendo minhas bagunças na tentativa de despertar um interesse em ficar na cama, deitar e até dormir, por que não?! Deito e penso nele, escuto o celular vibrar e deve ser ele, escolho uma roupa para festa de mais tarde que vou com ele. Entre mil desejos, inclusive o de pegar no sono, o que tem mais força é o de que ele continue intacto. 

O fato é que eu tenho tido medo de morrer de amor. Parece simples, eu sei, mas morrer de amor é ainda pior que morrer de verdade. E pra falar a verdade é contraditório já que é assim que eu me sinto. E será? O sono chegou? Não, mas a imagem do sorriso dele sim. A lembrança da noite passada em que mal pude respirar por causa das pernas dele sobre mim que intensificam mais ainda essa minha morte. E que no fim das contas não resgata nada de "pior", pelo contrário.

Pensar no amor que é ele e vindo dele me faz desfalecer. Assim do tipo morrendo mesmo e pedindo socorro de amor. Como se ele não tivesse me trazido para casa há poucas horas. E é bizarro sentir medo de algo tão concreto quando o bizarro mesmo é não ter nada de bizarro nisso tudo. Já morri de amor algumas vezes e em algumas delas as recordações são péssimas. O problema é que ver o amor morrer por si é desesperador. E ele morre tanto.

Relações efêmeras não me deixam mentir. Só que ele não é efêmero, é? Não. Ele tá aqui a quatro anos. Indo e vindo, mas tá. E pouco importa se o motivo pelo qual escrevo chama-se insônia e a razão para se ter medo é inalcançável, morrer de amor acontece e independe de mim. Quantas vezes já concluí isso? E quantas vezes também fiquei feliz por morrer de amor? Hilário esse gastar de frases e palavras e tempo e ideia mal construída. Dormir para vê-lo e acordar para encontrá-lo não significa nada que não seja "morro de amores por ele"... e se me faz sorrir... que dure! Eu aceito.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Lamentos e mais nada.



A pior parte dos momentos ruins é que eles nunca se apagam. Você ta firme, mudou o disco, esvazio o peito, encheu o coração, mas a memória continua intacta. Dias, semanas, meses sobrevivendo longe daquilo que um dia fez mal, vivendo o novo momento, as novas angústias, os novos sentimentos... Puft! O cérebro te leva de volta em um segundo a tudo aquilo que, embora hoje não faça sentido, um dia te feriu muito. Em questão de minutos o coração aperta, o nó na garganta ressurge e aquela dorzinha (re)toma seu espaço. Você sabe que ela não veio pra ficar, você sabe que já não faz mais parte disso tudo, o cenário enfim mudou, as pessoas e você também, e ainda assim permite que ela te toque, te tenha. Embaralha a cabeça, desconcerta decisões. Lembranças que atordoam ao mesmo tempo que ferem, e o desejo cada vez mais gritante de abandoná-las, de se ver livre. É mesmo difícil controlar o ar e manter a calma. É complicado não trazer a angústia de volta, não deixar interferir no presente. Os momentos ruins te fazem crescer principalmente porque não te deixam esquecer o quanto és frágil. Foram eles que moldaram quem és hoje e são eles os “pés no chão” que terás a vida toda. Angustiante mesmo, presente mesmo... e insuperável. Faz parte.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Bandeira Branca


Fechei os olhos e imaginei como seria um dia ser pega de surpresa, desejei ganhar uma surpresa. Como qualquer mulher eu fantasio momentos, ensaio diálogos e quase sempre vejo-os morrerem juntos. Será que não dá pra invadir meus espaços com um gostinho de "te peguei"? Eu vivo movimentando a cena do inesperado, do descaso que é sempre maravilhosamente detido e: nada. Vivo perdendo olhares, deixando pistas, dando de ombros e é vão. 

Pra que tanto ensaio, tanta espera e tanto desejo? A frustração geralmente vem grudadinha e pedindo pra que eu deixe de romantismo tolo e sem pausas. Muita calma porque eu não sei ser assim. Aprendi a ser dura na queda e não pesada no vôo. Pés no chão fazem bem a longo prazo, mas não dão espaço a maravilha que é flutuar. Ok, to pirada nesse lance de final feliz sem necessariamente ter final, mas que mal há? Surpresas geram recompensas, sabiam?

E o que isso muda? Nada. Elas me parecem cada vez mais distantes. Toda doçura e magia dos momentos que elas trazem parecem não pretender preencher a minha vida sempre tão certa. Sim ou não e fim. O arregalar dos olhos, o abraço apertado, as lágrimas de emoção e a tontura enlouquecedora acenam pra mim numa distància que me tira o fôlego. Não depende de mim buscá-las, não depende de mim trazê-las. Sinto-me partida por isso. Sinto-me esvaziando das esperanças. Quem iria se dispor? Provavelmente ninguém. Me rendo a toda falta de romantismo. Não devo ter nascido para tê-lo. Bandeira branca.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Ela que se amou.




Pegou o telefone, foi pra debaixo das cobertas e ensaiou algumas vezes o que falaria após o “alô”. Pensou que aquela dor que travava sua garganta não cessaria enquanto uma ligação não fosse feita. Tinha cada vez mais certeza que era mais fácil se entregar ao desespero do que continuar fugindo de algo que ainda lhe pertencia tanto. Aquele amor sempre teve milhões de motivos para acabar e sempre sobreviveu, por que seria diferente agora? Talvez fosse mais prático e menos dolorido entregar os pontos de uma vez. Como ela era boba às vezes.

Só que daquela vez ela não ligou. Colocou o celular sob o travesseiro e apenas chorou. Chorou como se fosse a última oportunidade de colocar todas as angústias pra fora e em lágrimas. Ela sempre fez o tipo de quem tem pressa pra viver. Foi angustiante àquelas horas em que o choro não parava e o peito apertava sempre que lembrava do que lhe fez feliz e ao mesmo tempo a menina mais triste do mundo. É engraçado como a dor nos faz esquecer o motivo que nos fez preferir sobreviver com ela do que com uma ilusão, a dor provoca uma confusão que acaba inundando, além dos olhos, a mente.

Fazia um bom tempo que não se sentia mais a mesma, quanta frieza, quanto desdém, quanta indiferença. Tanto tempo dedicado a alguém que só lhe enganou, alguém que lhe fez promessas e não olhou pra trás ao quebrá-las. Aquele travesseiro parecia ser o único capaz de compreender a essência daquele choro mudo. Parecia ser o único capaz de só confortá-la ao invés de fazer perguntas que ela nunca soube responder. E como saberia? Só questionamentos lhe rondavam nesses momentos. Ou melhor, desde que se viu enganada.

Agora, quase no fim desse “autodesabafo”, ela parecia compreender a riqueza desse momento, a sua riqueza. Entre tantas coisas, sofrer nos ensina. Quem sabe estas recaídas diminuirão, quem sabe não. A única coisa que ela desejava agora era uma manhã sem olheiras e olhos vermelhos. Certos momentos não merecem extensão e ela sempre soube disso. Ela sempre teve pressa.

Fechou os olhos: "hoje continuarei sendo mais minha que dele" e finalmente dormiu.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Senhor Incrível!


Enquanto ele dorme a quilômetros de distância, eu escrevo. Desde a noite de ontem não consigo me ver mais feliz que isso. É incrível a capacidade que ele tem de voltar e renovar o que eu sinto, o que nós sentimos. Por alguns dias eu questionei essa nossa capacidade antiga que por algum motivo me parecia adormecida. E nunca adormece. Não adormece o meu amor, o seu amor e tudo que ele nos gera. É incrível pensar assim e não se achar hipócrita ou iludida, é incrível perceber que o que percebo nunca é o bastante, é sempre como um brindezinho que esconde a grandeza em questão. Ele é incrível! 

terça-feira, 12 de junho de 2012

Dia dos Namorados.


O dia dos namorados reencontrou o meu sorriso este ano. Braços abertos, peito ofegante e presentinhos comprados. Lembro que um tempinho atrás eu não imaginara que seria um dia realmente feliz novamente. Óbvio que eu sabia que outras pessoas viriam e que em outros namoros eu mergulharia, mas era difícil de acreditar que seria renovador e com gosto de amor de verdade mais uma vez. Mas tem sido.

Embora evite falar sobre o meu relacionamento nos meus textos, hoje seria injusto. Seria injusto não falar sobre os dias mais lindos que tenho vivido desde que ele voltou. Seria injusto não falar que a mesma borboletinha no estômago de quatro anos atrás ainda bate forte as asinhas quando é pega de surpresa. Não vou dizer que namorar é coisa fácil... Namorar é um constante viver se esforçando pra que dê certo mesmo sabendo que em alguns momentos não dará. É complexo!

Namorar de verdade é ouvir seu namorado dizer que você tá um abuso e o responder com um sorrisinho falso de quem não tá nem aí porque ele sabe que esses momentos existem e que lhe conheceu assim. E também porque no fundo ele ama seu sorrisinho falso e a sua cara de abusada que ironicamente é o seu lado mais sincero. Namorar de verdade é aceitar as peladas da quarta-feira quando a quarta-feira era o único dia no meio da semana que tinham pra se ver e matar a saudade. É aceitar a triste realidade de que seu namorado não vai ceder aos seus draminhas sem fundamento e lhe mimar por capricho... ainda que viva mimando.

A realidade é que quando o namoro é de verdade a pessoa compreende que o outro não é o objeto do mês que se coloca onde quiser e joga fora quando cansar, a pessoa pára de criticar os defeitos tão irritantes e começa a compreendê-los (ou simplesmente ignora-los). Os namorados de verdade sabem que fidelidade não se impõe e que cabe a cada um suas atitudes.. eles preferem se amar ao invés de perder tempo com recalques e discussões bobas que geralmente não resolvem nada. Quando o namoro é de verdade não envelhece, amadurece. E é exatamente por isso que entre trancos e barrancos sobreviveu o meu amor. Hoje mais cuidadoso, maduro e responsável. Hoje tão bonito, tão vivo e tão despreocupado.

Desejaria até aos que não me desejam nada a oportunidade de abrir um sorriso ao lembrar de alguém. A oportunidade de aprender que o amor não é isso que te deixa debruçado na cama chorando e esperando um sinal de vida. O amor te liga todas as noites pra te dizer um "eu te amo" antes de dormir, o amor não te esquece nos finais de semana por mais conturbado que seja, o amor te deixa atraente, te deixa atraída. Desejaria para todos a oportunidade de compreender que se prender a um amor unilateral é quase um anti-amor e que o amor existe para aqueles que se permitem viver o amor de verdade, sem pesares. E, acima de tudo, desejaria que se sentissem amados como eu me sinto. Que reencontrem, enfim, os seus sorrisos.

Feliz dia dos Namorados!

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Prioridades...


Você com certeza já teve um amigo ou amiga que se afastou depois de conhecer alguém.


Bom, eu sei que pessoas novas entram em nossas vidas o tempo todo, sei que algumas ficam, sei que algumas só passam e sei que às vezes podem levar outras junto. Mas quando uma dessas que se vão é super importante pra você? E quando algo é capaz de cegá-la a ponto de não perceber o desarrumado que deixou ao partir? É assim que me sinto hoje. Ficou tudo meio incompleto, tudo meio desarrumado, uma felicidade um pouco inventada.

É complicado esse lance de entregar tanto amor a alguém e esperar exatamente o mesmo em troca. Raramente o retorno é "perfeito". E até aí tudo bem, quem não erra? Eu vivo errando e me redimindo (caso realmente me importe). Mas ninguém se redimiu. E talvez esse seja o problema. Acabo medindo minha consideração, meus feitos, meus defeitos a todo momento que lembro e acabo me torturando com essa ida sem retorno. Porque mesmo que volte, mesmo que diga o que esqueceu, mesmo que incessantemente peça desculpas, nada voltará a ser o que era. Eu não sou mais a mesma que ficou aqui, que custou acreditar no que acontecia e que só com um tempo chorou. Ninguém se deu conta.

Pode parecer exagero dizer que é tarde demais e ignorar a mensagem que devia ter chegado há três meses. Mas eu sou assim. Me entrego demais, sou boba demais, acredito demais... só uma vez (mesmo que não pareça). Não sinto raiva, só mágoa... e sei que uma conversa a faria passar. Mas não costumo esquecer os passos de alguém que me feriu, não consigo olhar pra frente e esquecer tudo de fato. Por mais que eu perdoe, e perdoo de coração sempre, a memória não falha e a cicatriz não some. E quer saber? Poderia passar horas escrevendo o que realmente senti, o que eu sinto e minha opinião acerca de tudo isso, só que um dia eu aprendi que não vale a pena. E não foi sozinha.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Inércia


Difícil mesmo é manter o sorriso enquanto sinto o coração arder. Fingir que não tá incomodando, que é natural, que vai passar. Tanta coisa acontecendo e eu inerte. Não quero dar um passo a mais, não quero ancorar aqui, não sei o que quero. Só sei que tenho sentido a mente pedir socorro intuitivamente, e que meus olhos estão perdidos a procura de algo que nem conhecem ainda. Achei que já tivesse aprendido todos os sinais de dor. Achei que meu corpo fosse capaz de suportar um surto, manifesto e apelo sem se flexionar e comprimir. E é assim que me sinto: encolhida em forma de bolha dentro de mim. Complexo e compreensível. Tá bem difícil desencontrar os erros e as mágoas. Tá difícil desabrigar até mesmo minhas lágrimas. Completamente, fixamente, majoritariamente em inércia. Não retrocedo e nem me esforço pra que alguém compreenda porque a única coisa que compreendi até agora, pra ser sincera, é que tem doído da mesma maneira que tem esfriado. Às vezes uma pancada, às vezes algo mudo. Nenhum choro, nenhuma gargalhada, nenhum ato. Só um nada no nada. E eu.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Renove, remonte, refaça.


Por que é tão difícil desatar nós? Seria tão prático ouvir a consciência e as certezas que os últimos dias trouxeram. Tão prático parar de ignorar coisas que te magoam só pra evitar a saudade que depois pode chegar. Compreender que certos frascos perderam a fragrância ou, nas piores palavras: apodreceram. Poucas coisas resistem ao tempo e, por isso, tantas máscaras caem, tantas feridas são feitas e também esquecidas. Às vezes é irresistível permanecer na zona de conforto, principalmente porque é complicado respirar novos ares até se sentir adaptado, é complicado não olhar pra trás. Quem sabe dessa vez seja diferente. Quem sabe meu tormento vire paz. Certa de que sou capaz de mudar quando quero, acredito na ideia de que tá na hora de abrir a cabeça, esvaziar o coração, cuidar das feridas e esperar que o tempo bom chegue. Esperar que o tempo bom renove, remonte, refaça. Esperar que o amor revigore e que os bons fiquem. Desejo tem de sobra!

domingo, 18 de março de 2012

Entrelinhas


Não tente me ler. Digo isso porque sei que o tens feito. Mas não tente. Não me julgue, não me desenhe, não acredite que as minhas palavras desvendam mistérios. São só palavras. São frases soltas. Pensamentos, ilusões, verdades e mentiras escritas. Não conclua algo a partir do que tens lido, não sou tão simples. Por isso, e dessa forma também, não tente se encaixar nos meus textos, não tente se enxergar em algo que me cega. Se for preciso falarei muitas coisas pessoalmente, olhando em teu rosto... não mando recados, nem me mascaro. Você sabe. Eu sei que você sabe. Se algo tá confuso, se algo tem te fugido... saiba que não foi aqui que se escondeu. Então não busque. Não se busque, não me busque, não nos busque. Minhas entrelinhas são poucas e, quando muitas, quase impossíveis de entender. A culpa não é sua. E na verdade nem minha. Existem coisas inexplicáveis não é mesmo? Coisas confusas como esse texto que escrevo. Mas eu continuo a mesma, continuo aqui, continuo sendo minha pra ser sua e de qualquer pessoa. Algumas palavras não me anulam, tente entender.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Meu Solo



Deslocado... você já deve ter se sentindo assim. 

Não sou boa em lidar com isso de não pertencer a nada. Sempre fiz parte de algo ou, pelo menos, me sentia fazendo. É estranho não me sentir assim agora. Talvez seja complicado entender se você faz parte dos bem sociáveis. Admiro isso. Admiro e admito que já fui assim... e sabe, era bom. Mas os dias chatos e esse mundo cafona me fez aprender a selecionar mais as companhias, a necessidade também. Me fez construir uma preguiça de gente, sabe? Não sei se pareço uma tola, desmedida e carente, na verdade não me preocupo com a imagem que posso passar e talvez seja isso.. O fato é que não faz meu tipo esse tipo de preocupação. Não sou capaz de me adequar a algo pela necessidade de me sentir pertencendo, eu nunca fui assim e não quero ser. São só minhas constatações. E uma delas é que a minha personalidade é a mesma em qualquer situação. Afirmo que nada pode deslocá-la. Nem a ausência de pessoas.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Super Poderosa (?) haha


Eu já devo ter falado aqui... sou muito impaciente. Me irrito fácil, falo o que penso sem pesares e às vezes acabo extrapolando. Mas da mesma forma que é grande meu desaforo, é grande minha fraqueza. Não falo daquela fraqueza ligada a tristeza, a desespero, a submissão. Falo da fraqueza de pensamento mesmo. Se algo me toca muito e eu sei que não devo, começo uma passeata contra a minha fraqueza em relutar as investidas - já cedendo no fundo, no fundo. Sou fraca pra confusão e forte nas decisões. Mas acho que por conseguir passar muito tempo longe delas, sempre que me pego em uma me afundo mais. E me afundo porque quero, que fique claro. Tenho mania de achar que to perdida e saber como resolver tudo, mas continuar sedendo as minhas fraquezas até ter certeza absoluta de que quero me libertar daquilo. Só sei que na hora que decido, eu me liberto. E talvez eu já nem saiba o que significa fraqueza. É, isso mesmo, acho que sou forte demais pra viver me testando. Tão forte que bate fraqueza.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Pensamentos Soltos


Tanta coisa engasgada, tantas frases cortadas, palavras engolidas. Tenho reprimido o pensamento, reprimido essa confusão que não pára de crescer e que, ainda assim, eu ignoro. É complicado viver de amarras, viver de cacos colados às pressas, de nós atados em linhas imaginárias. Alguém do outro lado me compreende? Acho que não e tenho cada vez mais certeza do quanto tenho feito tudo parecer tão fútil, tão dramático. Cada vez mais certeza de que as minhas verdades só me convencem. E em um pulo, da noite pro dia, resolvi reprimir tudo. Resolvi repetir mentalmente o "não fala sobre, não fala sobre, não fala sobre" pra reforçar minha ideia irreversível de que não falar sobre talvez seja a solução. E quando não falar sobre me faz pensar muito, muito, muito... eu coloco qualquer música alta que me faça pensar em performances. Porque sim, performances me fazem viajar num universo mágico de tão clichê. E qualquer universo me parece preferível nesse terror que é tentar escapar de algo o qual faço parte e desconheço. Complicado, desalinhado, incompreensível... igualzinho a mim. Esse jeito torto e confuso, lúcido e desconfigurado. Não falo sobre, não falo sobre, não falo sobre. Agora sim posso dormir...


Foto: Gabriela Nery. Quer mais? Clica Aqui! <3

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Alguns Detalhes


Quantos meses eu passei me torturando por causa de um descaso, de uma indiferença, por causa de um alguém que pensei ter me esquecido, ter partido, ter me apagado. Quantas lágrimas caíram, quantos nãos eu me dei de reprovação por continuar ali na janela, por esperar seu rosto em minha direção, por desejar nossos corpos dividindo aquela cama pequena. Foi tanta saudade dolorida, foi tanto aperto no coração a cada novidade, a cada mudança de planos. Era difícil, e ainda é, ser apenas uma telespectadora daquela novela que mal começou e que, de alguma forma, me sinto fazendo parte. Não que eu interfira, não que eu decida algo, não que minha presença seja notada, mas sei lá... quando te sinto eu me sinto e não sei explicar. Só sei que respirei aliviada ao descobrir que existia saudade do lado daí. Respirei mesmo ciente de que isso não vai mudar qualquer rotina, não vai mudar os projetos novos. É que foi um alívio descobrir que existia algo além do nada que eu esperava nutrir em você. Foi um alívio saber que eu talvez não tenha chorado completamente em vão e isso muda um pouco o meu passado tão singular. Me ver te faz sentir as mesmas saudades que eu sinto, te faz lembrar do quanto aquilo foi bom. Me ver te faz pensar em como a mudança da cor dos meus cabelos me fez voltar a ser quem eu era contigo e, por isso, tão linda de novo. Coisas simples que fazem tanta diferença pra mim que fiquei por aqui. E fico contente por ter ficado, por ter pulado fora dessa loucura que tu vives. Quem sabe um dia voltas tranquilo? Caso contrário, seja feliz!

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Desabafo do dia:


Você é um filho da puta! E não ligo se você, sua ex, sua atual, seu primo, seu tio, sua mãe ta lendo isso. Não ligo se a puta que pariu for contar dessas palavras, desse meu texto e de tudo que transbordo em cada palavrinha, porque eu sei que você sabe de tudo isso e sei que, provavelmente, se esforça pra ser exatamente assim. Você e essa sua carinha de "mamãe passou açúcar em mim", você e esse seu jeito de "não me esquece, tô aqui oh!". E eu cansei de me lamentar, de te ver e me entregar as lágrimas, de acreditar em qualquer palavra sua, qualquer gesto seu. Não vou ceder às tentações que eu mesma me coloco, não vou deixar transparecer qualquer sentimento, qualquer desespero. Você não merece! Esse é o último texto que escrevo sobre você, mesmo que eu não tenha certeza do que tenho falado.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Você que nunca vai, mas nunca vem...



Você me assusta. Já te disse isso algumas vezes e você pareceu nem entender ao certo. É que esse teu rosto milimetricamente harmonioso, esse teu sorriso que grita um “vai besta, me perdoa mais uma vez e fica mais”, essas costas infinitamente linda por ser tão única e que me faz pensar no quanto me fez segura... me assustam tanto. Não gargalha que isso assusta. Não me olha que assusta. Não elogia que isso, nossa, isso assusta. Não caminha em minha direção, não me toca assim com esse desdém, com essa certeza que eu passei, essa indiferença me assusta. Me assusta até quando já não deve mais, até quando eu já acho que não me assusta. Você e essa sua vida pacata que me transformou nessa menina pacata. Você e essas suas escolhas erradas que me fazem questionar se serão sempre erradas. Você e essa sua mania de ir, mas ficar sem se dar conta, sem se preocupar. Você que me deixou tão só mesmo sendo tão plural e nem desconfia e nem imagina. Você me assusta. Me mantenho distante, não nos falamos mais, não sei sua rotina, nem quero saber, não sei como andas, não sei com quem fala, não sei se tu acerta, só sei que tu ama, só sei que tu vive e ainda assim essa porra não muda em nada! Como você me assusta. Como você e essa merda de sentimento que não desgruda me assusta. Como essa sua ausência de meses me assusta, como sua presença em minutos também. Se vais, se vem, se ficas, se some. Você e essa sua mania de merda de ser lindo demais, idiota demais, cretino demais. Você e essa sua mania de se fazer odiar pra depois se fazer amar duas vezes mais. Você estúpido, arrogante, irônico. Você um doce, uma graça, uma piada. Você e essa coisa de ser você tão meu. Você me assusta - e eu já nem posso repetir isso outra vez - da mesma forma que me falta. É isso!

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Meu mantra!


Que mania boba essa de ser boa o tempo todo, de agradar todo mundo, de pensar mais nos outros do que em si. "Não quero magoar", "não quero torturar", "a culpa no fundo é minha", "fui eu que procurei". STOP! Que cobranças são essas? Quão cansativa tua vida fica ao se questionar tanto, ao se esforçar tanto pra quem não merece? E mesmo que mereça algo... em que lugar te colocas? Mania boba essa de se anular, de se julgar. Mania boba de levar o mundo nas costas tampando buracos que as vidas alheias fizeram. Para um pouco, menina. Te cuida, te ama, te protege. Não precisas de quem não te precisa. Não tente não magoar se isso te magoa. Deixa de lado essa mania boba que é ter manias bobas demais. VIVA! e viva letra por letra.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Sabe o que eu não entendo?


Sabe o que eu não entendo? Gente que se satisfaz com a tristeza alheia. Gente que torce pra que os planos de alguém dê errado e se irrita quando não dão. Eu não consigo entender quem só é feliz, ou pensa que é, quando o resto do mundo não tá, quando o namoro do cara ou da garota que lhe chutou vai por água abaixo. Parece até que isso o fará voltar, parece até que não percebeu que ele não escolheu outra, ele escolheu não a querer, apenas. Eu não entendo gente que insiste em não aceitar que existem mudanças nessa vida, que se algo passou é porque não deveria ter ficado e que desejar tudo de ruim não vai fazer voltar. É difícil aceitar que pessoas com vidinhas medíocres se ocupem em desejar a mesma vidinha a quem não tem. E não tem porque não aceita, porque vive, porque se preocupa em não se tornar esse tipo de gente. Os bons, felizmente, ainda existem. Ainda bem!

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Palavras Cruzadas


- Que cara é essa? Por que tens falado tão pouco? 

Oi, querido. Essa cara é de quem passou a noite toda chorando. A cara de quem a deu pra bater e recebeu uma pancada que dói até hoje. Essa ausência de sorriso é só consequência dos inúmeros questionamentos que trago no peito, dessa vida sem sentido que vivo porque é preciso e que é preciso porque, sim, eu vivo, apesar, afinal. Bateu cansaço de escalar montanhas intermináveis e despencar em queda livre. Bateu uma tristeza de apertar a alma porque eu senti saudade das três da tarde até a hora de conseguir dormir. Aí eu prefiro guardar palavras, sabe? Também cansei de falar, falar, falar e nada resolver. Cansei das minhas frases repetidas, das inúmeras explicações que inventei pra me convencer da necessidade de perdurar nesses sentimentos ou para vê-los perdurando em mim. Cansei também das autocríticas e de xingá-lo, nunca me faz mudar em nada mesmo. E olha, ta vendo essas olheiras? Essa cara amassada? É que atrás disso tudo tem algo machucando, torturando, invadindo. Talvez seja excesso de lágrimas, porque eu também cansei de chorar em vão. Tá bom, confesso, vez ou outra ainda as aceito pelas bochechas, me engano de que depois delas me sentirei melhor. Mas minto. Minto porque o que quero é me sentir sofrida, me sentir arder. Uma vez esse lance de se entregar a dor deu certo pra mim e é por isso, também, que eu calo. Tu me conheces, amigo. Sabes que quando eu falo muito me confundo, me contradigo. Tenho aceitado calada pra me confundir menos o confundindo mais. Ta entendendo? Não, né? Mas não te preocupa, eu também não entendo. Eu chorei essa madrugada porque não me entendo e porque percebi que talvez isso nunca aconteça. Me senti bem perdida ao constatar o tempo que provavelmente perdi ou tenho perdido. Ele voltou e eu não voltei, amigo. Entendeu? Ainda tô a espera do que se foi ou, até mesmo, do que se vem. Como eu posso não chorar? Como eu posso espalhar tantas palavras mal encaixadas por ai? Essa minha cara é de quem chora escondida pra não ter que explicar tanta coisa sem sentido. É isso. 

- Nada não. Só é sono!

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Se...


Como se tudo estivesse por um fio. Sinto uma dúvida nunca antes sentida, ideias embaralhadas, certezas absolutamente falhas. Dois mundos completamente diferentes e a minha incerteza no meio. Às vezes a vida te apronta cada uma... Às vezes um momento estraçalha uma eternidade de sentimentos e você nada pode fazer se não aceitar. Ou, caso contrário, assim como eu, mergulhar pra relutar. Tentar catar os restos, colar os cacos e se segurar pra não jogá-los propositalmente ao chão. Às vezes esse lance de consertar algo cansa e uma vontade súbita de tentar o novo te invade. Invade com toda força. É como você ter consciência de todas as vias, buracos e fontes e, ainda assim, preferir a estrada nova repleta de novas boas e ruins surpresas. A mesmice cansa a alma mesmo. O descaso toma espaço sem pedir licença. E que loucura essa vida dividida. Que loucura desejar com a mesma força os opostos, querer seguir em frente sem abrir mão de algo e não poder. Sabe quando você sabe exatamente o que fazer? Pois bem, eu não sei.

meu troco!



Você escolhe farrear e fazer a sua garota sofrer, amanhã ela fará o mesmo. Resolve ignorar todas as lágrimas, todos os pedidos de piedade, toda a manifestação digna de pena... Você não olha pra trás, não telefona, some por três dias, não faz nada. A vida te cobra, moleque. Nós mulheres nascemos com a incrível facilidade de se entregar inteiramente a dor, deixar cada parte do corpo arder, sentir a pulsação perder a força e, ainda assim, caminhar. Crescemos aceitando que as lágrimas por vezes virão (mas secarão), que aquele menino nos fazendo chorar vai voltar lá na frente com a maior carinha de idiota. É a lei da vida, moço. Isso te lembra algo? Que pena, já te esqueci!

...Uma escolha errada e tudo a sua volta muda!

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Indagações...



E como eu explico esse apego que não me vai? Como eu explico a felicidade súbita na qual sou vítima sempre que estás perto? Que sorriso tão meu é esse? Que risada tão minha é essa? Como faço pra explicar essa atenção antes não tida? Como faço pra sobreviver a esse tormento que me proporcionas? Como vou explicar meu sorriso de canto de boca, meu rosto surpreso, você na minha cabeça a noite inteira? Como fazer pra aceitar que voltastes aos meus sonhos? Como não te deixar mais partir? Se Caio estivesse vivo me compreenderia: "Seria apenas mais uma história, se não tivesse tocado a alma!" 

Concordo.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

2012


O fim de ano passou e eu não tive vontade alguma de escrever aqui. Sou meio avessa a esse sentimentalismo todo que invade as pessoas nos últimos dias do último mês e que, por algum motivo, some a partir do dia 01. Meus votos aos melhores amigos são sempre feitos, meu bem querer a minha família é exposto o ano todo e a única coisa que faço rigorosamente é uma prece a papai do céu. O único responsável por cada segundo da minha vida e o dono de cada momento que eu vivo. 

As pessoas deviam pensar assim, sabe? Deveriam refletir as conquistas todas do ano, ao invés de questionar as partes dolorosas. Quem não derramou uma lágrima? Quem não brigou com um amigo? Quem não viu um amor indo embora? Tão normal. Nenhuma vida faria sentido sem altos e baixos. E qual felicidade existiria num sorriso que por tanto tempo se escondeu? Como brilharia tanto um olhar sem lágrimas? Os dias de um ano não resumem uma vida inteira. E esse lance de dividi-la em partes é a maior furada. As pessoas se concentram em mudar só porque o ano tá acabando, ou deixam pra começar no ano novo o que se pode fazer em qualquer dia.

Mais que isso. As pessoas pedem mais maturidade e são infantis, pedem paz e são violentas, exigem um mundo que aceite as diferenças e são preconceituosas, pedem amor e plantam a raiva. Como esperar um mundo de bons fluidos? Não são todos os votos pro ano que chega ou todos os abraços, algumas vezes falsos, que fará dele especial. Comece sem esperar do mundo algo que nem você é capaz de dar. O ano novo não faz de você uma pessoa melhor. Compreenda que você colhe o que planta. 

Comece o ano desejando a mudança em você! O resto vem. Feliz ano novo :)